Olá freguês!

Cobres Cunha - linhagem de mestres caldeireiros

Fernando da Cunha Ferreira, filho do fundador dos Cobres Cunha

Cobres Cunha - artesanato de cobre

Rua da Madalena nº 8
4750-315 Barcelos


Há muito muito tempo – há coisa de 100 anos – vivia em Braga um senhor, de seu nome Manoel da Cunha Ferreira, que tinha como ganha-pão um ofício a que chamavam caldeireiro. Diz quem sabe que o nome tem origem na tradição cigana. Seja como for, este senhor fazia alambiques, caldeiras, chaminés e outras utilidades em cobre. Fazia-os artesanalmente, que é como quem diz, à força de bater o martelo.

Esse senhor tinha três filhos. Os três enveredaram pelo ofício do pai. Mas é do mais novo que vamos tratar.

Pois bem, quando o caçula se fez moço e decidiu assentar, foi no livro de assentos do pai que procurou orientação. Pelos registos dos deves e haveres, pareceu-lhe que Barcelos era o caminho. Pelo menos, era dali que vinha grande parte da clientela do pai – pudera, era o maior concelho do país!

João da Cunha Ferreira estabelece-se então em frente da Capela de São José, em Barcelos. E é nos fundos da casa que funda a sua própria oficina de cobres, que abre as portas ao público no dia 2 de Janeiro de 1932.

Desse ano data o último registo do livro de assentos do seu pai. Esse, assim que viu o mais novo arrumado, arrumou as botas também. E é também nesse ano que nasce o seu filho, José Fernando da Cunha Ferreira, ainda hoje à frente desta casa de tradição, juntamente com o filho, João Manuel da Cunha Ferreira.

Da recém-fundada oficina não se pode dizer que tivesse má localização. Mas verdade seja dita: no dia de maior afluência à cidade, às quintas, ficava fora do circuito principal. Nada de transcendente para o espírito comercial de João da Cunha Ferreira: em vez do habitual fato-macaco, vestia a farpela domingueira, deixava a casa ao cuidado do filho e ia para o centro da cidade fazer-se recordar. No largo da Porta Nova, chegava-se ao engraxador mais bem posicionado e ali se deixava ficar, como quem não quer a coisa…
“Muito bom dia senhor Silva. Já tenho o seu pedido prontinho lá em baixo”.
“Ora viva senhor Pereira! Não vai acreditar na novidade que acaba de chegar à loja. Pois não quer vir ver?”
E assim os levava, como a um rebanho, à oficina, ora para fechar contas antigas, ora para iniciar negociações.

Paleio não lhe faltava, mas a coisa não ficava por aí. Já na altura, João da Cunha Ferreira compreendia o alcance comercial de um bom catálogo e, por isso, não deixava o assunto por mãos alheias. Passava noites a fio de regra e esquadro a esquematizar as operações mecânicas dos seus destiladores. Através de processos químicos, reproduzia artesanalmente os seus desenhos, para distribuir pela clientela e abafar a concorrência. Ainda hoje, filho e neto se orgulham de exibir nas paredes da oficina os desenhos do fundador, que garantem ser irrepreensíveis à luz dos actuais manuais de mecânica. Os originais, esses permanecem guardados, como relíquias, junto com os livros de assentos e as fotos amareladas das exposições em que João da Cunha Ferreira exibia, garboso, as novidades da sua casa de cobres.

O filho, José Fernando Cunha Ferreira, com 80 anos feitos, ainda hoje lembra o pai como um homem brioso. Facilmente o deduzimos, pelo aprumo do seu livro de assentos e pelo estilo das suas anotações. Mas o senhor Fernando faz questão de mostrar que até os brinquedos que o pai dava eram de outra categoria. Do armário da pequena sala de exposição retira uma máquina a vapor em miniatura que "fazia mover figuras e tudo". E ao recordá-lo, conseguimos ainda ver nos seus olhos o delírio com que o descobriu, há muitos muitos muitos anos.

Sim, são muitos anos, mas não lhe parecem pesar. De segunda a sexta-feira, é ver o senhor José Fernando de martelo em punho, a marcar o ritmo que há muitos anos ouve quem passa à porta do nº 8 da rua da Madalena. “Oh menina, pensa que o cobre já vem assim, com esta textura? É tudo feito a martelo!”

Catálogo de produtos Cobres Cunha


Fachada da oficina e loja Cobres Cunha, no nº 8 da rua da Madalena, em Barcelos.

Há mais de 70 aos que, sentado num banquinho de madeira, José Fernando da Cunha Ferreira martela o cobre.

É o martelo dos Cunhas que marca o ritmo na rua da Madalena, em Barcelos.

José Fernando da Cunha Ferreira e o filho, João Manuel da Cunha Ferreira, mestres de um ofício que "leva uma vida a aprender".

Ventoínha de cobre em miniatura.

"Dístico da fachada: Cobres Cunha Artesanato - 1932"

 
 
 

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