Olá freguês!

Telmo Macedo

Galos da autoria de Telmo Macedo

Esta não é ainda uma história. Em bom rigor, chamar-lhe-íamos apenas a introdução de uma história que está ainda por escrever.

Talvez a narração possa começar assim:
Telmo Macedo nasceu numa terra de oleiros e numa família de oleiros. Os pais têm uma pequena unidade de cerâmica decorativa e na família alargada encontramos alguns dos nomes sonantes do artesanato tradicional português. Tem 21 anos e é o mais novo na família dos artesãos de Barcelos.

Em pequenino, contou-nos a mãe, já brincava com o barro: “Ainda antes de andar nas escola, fazia uns bonecos muito muito pequeninos”. E mostra com os dedos polegar e indicador a escala dessas primeiras criações.

Narrada assim, até parece uma história de predestinação, a lembrar o dito popular: "De pequenino se constrói o destino".
Mas este não foi sempre um destino óbvio, nem para o próprio, nem para a Mãe, que lamenta agora não ter guardado aquelas miniaturas, obras primeiras do então aprendiz, que um dia será Mestre (assim vaticinam os entendidos).


Na verdade, só muito recentemente Telmo voltou a brincar com o barro. Com uma formação em Marketing e sem colocação profissional à vista, tirou partido do material de oleiro à disposição na oficina do pai e sem saber muito bem como, desenvolveu aquela que é, hoje, a sua imagem de marca: o Galo de crista eriçada e longas pernas de ferro.

Seguiram-se outras experiências, em que aprimorou o Galo original e em que explorou outras temáticas tradicionais do figurado de Barcelos, numa abordagem que tende para um universo muito pessoal e em que facilmente se reconhecem traços de uma vivência descontraída e irreverente, como acreditamos que é a sua, e de uma certa cultura mediática contemporânea. 
Deste cruzamento de referências, resulta um portefólio elástico em que tanto têm lugar as figuras convencionais do figurado – os Minhotos, Santo António ou o Homem do Bombo – como personagens alternativas, radicais e boémias – o cozinheiro, o surfista, o DJ ou o jogador de bilhar.


As primeiras peças produzidas na condição de artesão levou-as o pai às lojas onde vende os seus próprios barros. A irreverência do galo de pernas altas parece ter caído nas boas graças dos lojistas e as encomendas, não sendo ainda muitas, já lhe garantem o que fazer cinco dias por semana:
“É difícil começar quando ainda se é novo. A maioria dos lojistas preferem investir em nomes garantidos, artesãos já conhecidos. Mas ainda há quem goste de conhecer os novos artesãos.”
São estes os clientes que vão escrever o resto desta história.

 

Telmo Macedo
Artesanato de Cerâmica / Cerâmica Figurativa