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Júlia Côta: uma vida a olhar pró boneco

4 de Maio de 2017 Sem comentários

Julia Cota


Há uma semana, a jornalista e escritora Alexandra Lucas Coelho contava-nos, na sua crónica semanal na Antena 1, as suas impressões de Guiné-Bissau, onde estava à data desse relato. O que mais a impressionou, relatou, foram as cores que as mulheres vestem, de uma riqueza tal que parecem desafiar a pobreza que insiste em revelar-se no pé descalço, da cor da terra vermelha de Bissau.


De onde saíram estes panos? De onde saem, quem os sonha? Este amarelo gema, amarelo sol, amarelo canário, laranjas, laranjas, azuis vibrantes, violetas e roxos, vermelhos-sangue, verdes-relva e esmeralda. E as formas que estas cores tomam?” – interrogava a cronista.


Ouvimos este relato e logo nos vêm à ideia as bonecas de Júlia Côta, que tal como as vendedoras de amendoim em Bissau, parece que “todos os dias vestem de festa”. Também as bonecas retratam “mulheres pobres num país pobre”. Falamos da mulher portuguesa do Minho rural da primeira metade do século XX. Na interpretação de Júlia Côta, documentadamente colada à realidade, também elas carregam à cabeça ou nos braços os haveres – sacos, alguidares, embrulhos, animais ou filhos. E não obstante a pobreza, alguém sonhou estes panos e estas cores.
Quem sonhou estes vestidos, os das bonecas, foi Júlia Côta, que é justamente uma das maiores representantes do Figurado de Barcelos.

Agora também representada no nosso catálogo online.

Posted in: Feira de Barcelos

RTP disponibiliza reportagem de 1968 com Rosa Ramalho

8 de Março de 2017 Sem comentários

A RTP acaba de disponibilizar online um arquivo com mais de 6000 peças produzidas para rádio e televisão desde 1936.


Dos milhares de bons motivos por que vale a pena perder-se a navegar por este acervo, destacamos um que nos é particularmente querido: é uma reportagem de 1968 com a ceramista Rosa Ramalho, já então com 80 anos (viria a falecer em 1977) – uma personalidade de “sensibilidade inquieta”, como faz notar o repórter, e que é ainda hoje considerada um vulto maior da arte popular portuguesa e do figurado de Barcelos, em particular.

Como obter a Carta de artesão ou unidade produtiva artesanal?

10 de Novembro de 2016 Sem comentários

Como obter a carta de artesão
“Como obter a Carta de artesão ou unidade produtiva artesanal?”
Quarta-feira, 16 Novembro | 17h00-18h30 | Centro de Incubação e Aceleração de Gondomar

 

O estatuto do artesão e da unidade produtiva artesanal e os apoios do IEFP ao artesanato, no âmbito do programa 'Artes e Ofícios', são os temas em debate nesta sessão de esclarecimento gratuita, organizada pela ANJE.

O objetivo é partilhar com os novos artesãos e profissionais em exercício os benefícios inerentes à obtenção da carta de artesão ou unidade produtiva artesanal.

 

Vilar de Mouros: literatura para festivaleiros (e não só!)

25 de Agosto de 2016 Sem comentários

A Fábrica de Louça de Vilar de Mouros

Pormenor da capa do livro "A Fábrica de Louça de Vilar de Mouros (CIRV e Câmara Municipal de Caminha, 2016). Créditos da imagem: goo.gl/nc3Y9f

 

Vilar de Mouros não é conhecida apenas pelo Festival. A vila e a fábrica de louça que nela se fundou no século XIX, integram o roteiro de estudo da faiança portuguesa.


Da história da "única fábrica de louça branca de todo o distrito [de Viana do Castelo]", meritosamente reconstituída na obra A Fábrica de Louça de Vilar de Mouros*, permitimo-nos reproduzir a seguinte passagem, que bem ilustra a dimensão humana do trabalho artesanal.

 

Direito de brincar

29 de Maio de 2016 Sem comentários

Pormenor de azulejo no Palácio do Correio-Mor, em Loures. Fonte: Old Portuguese Stuff.

 

Do blog Old Portuguese Stuff chegam-nos imagens de curiosos azulejos do Palácio do Correio-Mor, em Loures, datados do século XVIII, que retratam crianças a brincar – aliás, crianças a brincar umas com as outras.

 

Por ocasião do Dia da Criança, instituído pela ONU para assinalar os direitos fundamentais das crianças, vêm muito a preceito estas imagens que não só nos lembram que brincar é um direito fundamental, como também recordam como é que se brincava antes de os gadgets electrónicos assumirem o papel de interlocutor quase exclusivo.

Heaven, Hell and Somewhere In Between: Portuguese Popular Art*

19 de Setembro de 2015 Sem comentários

'Virtudes' da artesã barcelense Júlia Ramalho


*Céu, Inferno e algures entre os dois: a arte popular portuguesa é o nome da exposição que o Museu de Antropologia da Universidade da Colúmbia Britânica (MOA), no Canadá, tem patente até ao dia 12 de Outubro de 2015.

O artesanato de Barcelos está muito bem representado nesta mostra, que reúne cerca de 300 trabalhos de artistas e artesãos portugueses.

A Virgem Maria de Laurinda Pias, as Virtudes de Júlia Ramalho e os Diabos de Nelson Oliveira são algumas das peças que inspiraram a temática da exposição, assente na dualidade sagrado e o profano, sempre presente no figurado de Barcelos.

De Espanha também vêm bons pensamentos! Dicas para utilizar andorinhas em projectos de decoração.

13 de Junho de 2015 Sem comentários

Andorinhas de cerâmica pretas e brancas


De Espanha nem sempre vêm bons ventos, já se sabe, mas às vezes vêm bons pensamentos.

É o caso destas dicas de decoração, da dupla madrilena Reformas de Diseño, especializada em arquitectura de interiores, que se rendeu aos encantos das nossas andorinhas de cerâmica e lhes dedicou um artigo.


Como usar? De que forma? Em que zonas da casa?


Respostas a todas estas perguntas nas linhas que seguem, em que arriscamos uma tradução do artigo redigido por esta dupla de especialistas "As andorinhas pretas estão na Moda!" (Las golondrinas negras de la moda, no original).

Santos Populares 2015

13 de Junho de 2015 Sem comentários

Dá cá aquela palha!

20 de Maio de 2015 Sem comentários

Chapéus de palha


Aos nossos seguidores mais fiéis não terá escapado a entrada em catálogo de um produto há muito procurado: os tradicionais chapéus de palha de centeio.


Chapéus de variadas forma e para diferentes finalidades: de abas largas, de abas curtas, de copa alta, de copa baixa.


Os nomes por que ficaram popularmente conhecidos derivam ora da forma, ora da origem ou do uso que se lhes atribuiu: Travessão, o chapéu de abas muito largas, usado pelas lavradeiras nas longas jornadas de exposição ao sol; Tirolês, o chapéu masculino de passeio, reprodução do modelo alpino; Tonico, inspirado na personagem da telenovela 'Gabriela, Carvo e Canela'; Vaso, o chapéu de senhora de abas curtas e copa em forma de V invertido; Capelina, o chapéu de copa quadrangular.


Qual é o seu favorito?



Adufe: dos Mouros a Salazar

21 de Março de 2015 Sem comentários

Adufes ou pandeiros rectangulares


O adufe entrou na Península Ibérica na Idade Média, crê-se que por via da ocupação islâmica, tendo origem etimológica precisamente no termo duff, que designa os instrumentos membranofones vulgarmente conhecidos como pandeiros.

Após um período de declínio, que quase ditou a sua extinção da cultura popular portuguesa, é durante a vigência do Estado Novo que o adufe ressurge como “instrumento de apreço nacional”, muito graças à iniciativa do Secretariado de Propaganda Nacional que institui a ruralidade como um valor nacional a preservar, por oposição à natureza desvirtuosa das cidades e à sua influência nociva sobre a moral e os bons costumes. Opera-se então um levantamento do repertório cultural tradicional e um fomento da produção etnográfica, que resgatou o adufe do esquecimento e o colocou no pódio da iconografia nacional, a par de outros símbolos da portugalidade como o galo de Barcelos e os lenços de Viana.