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A Feira de Barcelos, por Mário Cláudio

1 de Dezembro de 2012 Deixe um comentário Ver comentários

Ocarinas

"Nas manhãs de feira levavam-me de Cabreiros a Barcelos, e a criança que eu era descobria o mistério das ocarinas. Pintadas a azul, a amarelo, ou a vermelho, moldavam-se como a pomba insigne que Picasso não desdenharia. Cabiam por inteiro na concha da minha mão, e o barro de que eram feitas, húmido de saliva, deixava-me na boca aquele sabor a terra que para um menino equivale à maior conquista do Mundo. Quanto ao som que delas eu extraía, quanto a esse, uma vezes cavo, outras estridente, nenhum como ele se mostrava digno da escala dos anjos extravagantes que só em Barcelos moram, e que alguém retratou dotados de seis dedos em cada pé, nos azulejos da Igreja do Senhor da Cruz.
Nunca o homem crescido em que me tornei acharia equiparável maravilha."

 

Mário Cláudio (2007)*
in 'Artesanato e Feiras de Barcelos', Carlos Basto (Figueirinhas 2008)
*Escritor.


Ocarina da autoria dos Irmãos BaraçaOcarina da autoria dos Irmãos Baraça.



Ocarina da autoria do artesão barcelense João Lourenço

 

Ocarina da autoria do artesão barcelense João Lourenço
Ocarina da autoria do artesão barcelense João Lourenço

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