Olá freguês!

Abril 2013

Velhos, nem os trapos!

29 de Abril de 2013 Nenhum comentário


Na freguesia de S. Miguel da Carreira, em Barcelos, nem todas as mulheres saberão falar francês ou tocar piano – haverá, porventura, quem não saiba escrever o próprio nome – mas quase todas sabem bordar ou tecer.

Não ter adquirido essa virtude por privilégio de nascimento também não é fatalidade. Que o diga a menina Patrícia Lemos, moça na casa dos 20 anos, que conheceu um moçoilo daquelas bandas e por ali se instalou.


Logo quis uma anciã vizinha ensinar-lhe, entre outras artes, as técnicas de tecelagem que por ali se aprendem desde o berço. E não é que a cachopa tem mão para coisa? Ganhou-lhe o gosto, armou-se Penélope e agora é vê-la aviar encomendas com os farrapos desaproveitados nas fábricas têxteis ali em roda: tapetes, mantas, sacos de praia, sacos de mão, sacos de tiracolo.


O freguês só tem de pedir. A menina logo dirá se há farrapo disponível na cor pretendida e em quantidade suficiente. Não havendo, não faltarão alternativas. Afinal, trapos há muitos!


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"Galos, cruzes e Gigantones - últimas criações"

20 de Abril de 2013 Nenhum comentário


Por ocasião das Festas das Cruzes, a cidade transforma-se, já se sabe. Mas não são só os carrinhos de choque, as farturas e os carrósseis...
Seres estranhos descem à cidade e povoam os espaços comerciais – são galos, cruzes e gigantones!


São vários os artesãos que participam nesta iniciativa organizada, pelo segundo ano consecutivo, pela Associação de Artesãos de Barcelos. Entre nomes já habituais nestas lides, como Conceição Sapateiro, Júlia Ramalho, João Gonalves, Jesus Pias, Carlos Dias, João Alonso e Nelson Oliveira, esta edição contou ainda com a participação de dois 'novatos', Lucas Carvalho e Telmo Macedo.

 

Nas vitrines, as últimas criações dos artesãos locais convivem com toda a espécie de produtos e serviços – roupa, calçado, jóias e bijuterias, roupa interior, perfumes, pacotes turísticos, revistas e jornais, raspadinhas e jogos de sorte, químicos, aplicações bancárias e artigos religiosos. Nem sempre as afinidades são óbvias, mas o inusitado também tem aqui o seu propósito.

 

Numa ocasião de grande afluência turística, esta iniciativa coloca o artesanato local no centro gravitacional da cidade, vincando a associação desta actividade à cidade, nas memórias de que chega e de quem parte.


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Carlos Dias: “Não sou a Cinderela”

5 de Abril de 2013 Nenhum comentário


Vive paredes-meias com os nomes sonantes do figurado de Barcelos, como Júlia Ramalho, Júlia Côta, a família Baraça, a família Mistério e os Pias, mas Carlos Dias demarca-se desse universo.

As formas minimalistas, os rostos sem definição, o formato miniatura e os tons naturais da porcelana e do grés, em contraste com as cores vivas do figurado de Barcelos, são o carimbo inconfundível de um artista que não se sujeita a regras de estilo pré-determinadas e produz apenas aquilo de que realmente gosta. “Não sou a Cinderela. Se tenho um pé grande, não tenho de caber num sapato pequeno. Quero ser livre”.

O público parece apreciar a irreverência. Não falha sequer na coleção de presépios da primeira-dama, Maria Cavaco Silva.

 

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