Olá freguês!

Junho 2013

Lavores de Inês

9 de Junho de 2013 Nenhum comentário

Bordados de Inês Ferreira


Na grande banca branca, no meio do atelier, divisa-se a rotina daquela mulher franzina que já viu a grande roda das estações girar vezes que chegue para saber com que linhas se cose a vida.


Num cantinho,as linhas de cor com que borda os serões: toalhas de baptismo, fraldas e babetes; panos de tabuleiro, lenços de namorados, tapa-jarros e o que mais aprouver à fiel clientela do linho.


O pior é na hora de os deixar ir. É que a Inês não dá ponto sem um nó no coração. Às mãos que lavoram custa-lhes deixar ir o lavor. E às vezes, não há dinheiro que pague esse apego.
“Uma vez até chorei”.
“Chora muitas vezes”, remenda o marido – afinal, a quem ouve um conto, sempre assiste o direito de dar um ponto.


Começa-se então a desfiar o novelo das memórias...

A brincar é que a gente se entende

9 de Junho de 2013 Nenhum comentário

Fernando Soares - alfaias agrícolas em miniatura e brinquedos tradicionais de madeira

Não nos surpreenderia ter visto gnomos e duendes a seriar as peças das criaturas articuladas que povoam o atelier do senhor Soares. Do meio das máquinas e ferramentas, emergem as personagens de um imaginário que se perde na memória dos tempos. Até o Zé Moleiro anda por ali...


E não será de espantar ver, vez por outra, umas pernas ou uns braços como-que-perdidos. Perdidos não estão, só aguardam a vez de serem articulados a um qualquer Malaquias pinchão.


E ainda não vimos nada! Encostados a uma parede, empilham-se, como construções de legos, caixas e caixas de cartão, cheias de brinquedos. Com desembaraço, desempilha-as e volta a empilhá-las, para nos mostrar aviões e avionetas, comboios, carrinhos, patos, carrosséis, cavalinhos, iô-iôs, piões, fisgas, “rapas”, jogos do galo, e "pinta-tu".


Noutra caixa, teares, sarilhos e um rol de outros utensílios do linho de que já nem lembramos o nome - tudo em miniatura, porque tem mais graça a fazer-de-conta.


De vez em quando, suspende aquele abre-caixa-fecha-caixa, tira qualquer coisa das entranhas do papelão e pergunta, sem realmente esperar resposta, porque há muito que sabe que sim: “É mesmo giro, não é?”.


Viemos embora intrigados: será mesmo na Lapónia a oficina do Pai Natal?

 

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