Olá freguês!

Julho 2013

Retratos da Feira de Barcelos, por Artur Pastor

30 de Julho de 2013 Nenhum comentário

Feira de Barcelos. Fotografia de Artur Pastor. © Arquivo Municipal da Câmara de Lisboa© Arquivo Municipal da Câmara de Lisboa

 

A nossa leitora Ana Patrícia Ferreira teve a amabilidade de nos apontar o caminho para o fantástico espólio de Artur Pastor – justamente lembrado como “O Poeta da Fotografia”–, adquirido em 2001 pelo Arquivo Municipal de Lisboa, em que se incluem 22 impressionantes retratos, a preto e branco, da feira de Barcelos, tal como vem descrita nas memórias de quem a conheceu nos seus tempos áureos, como é o caso dos ilustres escritores José Carlos Vasconcelos e Maria do Pilar Figueiredo, cujos testemunhos já aqui transcrevemos, ou do nosso conterrâneo pintor Carlos Basto, que tantas vezes a reproduziu na tela, com igual rigor fotográfico.

 

Além das memórias que certamente evocam aos contemporâneos destes retratos, como de resto atestam os comentários entretantos colocados na página de Facebook, estas imagens propiciam toda uma série de questões e interpretações, de âmbito multidisciplinar – desde logo, as dimensões artística, histórica e social ... e a lista poderia prosseguir quase infinitamente.

Uma das questões mais óbvias será, arriscamo-nos a dizer, a presença preponderante da mulher nestes retratos. O que revela, afinal? O olhar tendencioso/obsessivo do artista? Um dado histórico, com enraizamento socio-económico? 


Para consultar este arquivo ou mesmo adquirir alguma(s) imagem(ns), basta seguir este link e colocar no campo de pesquisa o termo "feira de Barcelos".

 

Bordado de Crivo - o bordado tradicional de São Miguel da Carreira

27 de Julho de 2013 Nenhum comentário

Execução do bordado de crivo, típico da freguesia de São Miguel da Carreira, Barcelos


Há tempos, relatámos aqui o caso da Patrícia, que contra todas as suspeitas, aprendeu a urdir tapetes, mantas e bolsas com farrapos desperdiçados nas fábricas têxteis das redondezas. Quis a sorte que o casamento a levasse a morar paredes-meias com uma das mais experimentadas bordadeiras de São Miguel, a D. Margarida Mesquita.


E se nesse outro relato dissemos que poucas seriam as senhoras da terra que não sabem bordar, certo é que nem todas as bordadeiras são capazes de executar um bordado de princípio a fim. No tempo em que o bordado empregava o mulherio da freguesia, a imperativa força da rentabilidade determinou a distribuição dos trabalhos conforme as aptidões individuais – e assim, umas só tiravam fio, outras só teciam o crivo, outras só faziam as serrilhas, outras os cordões exteriores e só as mais experientes aplicavam os bordados geométricos sobre a grelha de fio.


A D. Margarida é uma dessas poucas que faziam tudo.


 

Ler todo o relato aqui

Posted in: Feira de Barcelos

Cenas de um casamento

11 de Julho de 2013 Nenhum comentário


A Adriana e o Jean decidiram casar. Acertadas as datas, puseram os quatro pés ao caminho e as quatro mãos à obra para o grande dia – com assaz tempo de avanço, para nada ficar à mercê das vontades alheias. Com grande afã decidiram as pequenas e as grandes coisas: o vestido dela e o paletó dele, as alianças, a igreja, a quinta, a ementa, a decoração, a sinalética e a lua-de-mel.


E não fosse a empreitada tornar-se uma canseira, trataram logo de lhe dar um tom de brincadeira. Do cinema de animação tomaram de empréstimo o romance mais robótico de todos os tempos: Wall.e, da Disney/Pixar.


E quando tudo parecia estar mais ou menos alinhavado, encontram, ao acaso, uma bota, em barro,  igualzinha àquela em que o Wall-e conservava com fervor a última planta da terra. Nem valia a pena contrariar: ela tinha acabado de escolher os centros de mesa!


Mas não foi bota fácil de descalçar...
Pois decidiu a menina que queria tantas botas quantas as mesas de comensais. Era então época de Natal, altura pouco propícia às encomendas de última hora, não tiveram remédio senão esperar até Janeiro.
Em Janeiro afinal não pôde ser, em Fevereiro não foi, Março passou a voar e em Abril a menina a desesperar…


Por esta altura já o leitor supôs: sim, sim, foi em Barcelos que tudo se compôs.
A partir do original, o artesão-herói fez um novo molde e com ele reproduziu quantas botas a menina quis. E por aqui termina esta história feliz.