Olá freguês!

Fevereiro 2014

Preservação do artesanato é prioridade da Direção Regional de Cultura do Norte

24 de Fevereiro de 2014 Nenhum comentário

"Está cada vez mais na ordem do dia a necessidade de preservar as tradições e os modos de saber fazer que vão desaparecendo. A falta de quem faça pode colocar em perigo um conjunto de tradições e de saberes", afirmou à agência Lusa o responsável da Direção Regional da Cultura do Norte, António Ponte.

"Há os levantamentos linguísticos, como o mirandês, as tradições, como os caretos, ou o artesanato, como as cestarias, a olaria ou a tanoaria ou os antigos processos de produção de sabão de seda. Há todo um conjunto de processos de fabrico e de conhecimentos tradicionais que importa registar", salientou.

 

António Joaquim da Cruz - abanadores

20 de Fevereiro de 2014 Nenhum comentário

Abanador em execução pelo artesão António Joaquim da Cruz


António Joaquim da Cruz
é o único artesão barcelense do ramo da cestaria especializado no fabrico de abanadores.
Em média, faz cerca de 4 abanadores por hora.  Mas estando a armação feita, nem cinco minutos são precisos para tecer cada um!

O ofício não dá muito (nada que se compare com os tempos em que fabricava móveis, numa era em que o país progredia e a todos parecia que só podia melhorar…), mas vai dando para pagar as contas de quem tem a vida feita e os filhos criados.

Estando a obra pronta, passam as carrinhas dos revendedores a recolher. Um deles é nem mais nem menos que a Cestaria Alvarinho, que visitámos há semanas, e que a par da produção própria, revende a produção de outros pequenos artesãos da zona.


Saber mais sobre o artesão

Rosa e Júlia Ramalha: barristas

19 de Fevereiro de 2014 Nenhum comentário

'As palavras dos outros', de Baptista Bastos


Depois da crónica em que Baptista Bastos evoca o encontro que um dia teve com a barrista barcelense Rosa Ramalho, quisemos saber mais pormenores sobre esse diálogo que parece ter impressionado o jornalista e escritor a ponto de o recordar décadas mais tarde.


Descobrimos, com agrado, que esse episódio ficou registado numa espécie de livro de memórias. Dias depois, chega-nos pelo correio, vindo da Caparica, um exemplar em segunda mão da segunda edição de “As palavras dos outros” (Editorial Futura,1975). Do índice, saltámos diretamente para a página 93, onde o autor coloca em discurso directa a velha barrista e a sua jovem neta, Júlia Ramalho.


Deixamos aqui apenas algumas passagens de um relato que bem merece uma leitura integral:

«(Baptista Bastos para Júlia Ramalho) - Há quantos anos trabalha no barro?

- Tenho 20. Aí há dez. Isso: quando tinha 10 aos comecei a trabalhar no barro.

- Tem ganho dinheiro?

- Não muito, ainda. Mas tenho a certeza de que ainda hei-de ser uma das maiores barristas de Barcelos.

- Porquê?

- Os meus bonecos são diferentes de todos os outros. São mais perfeitos do que os do João Domingos da Rocha, do Misério ou da Rosa Côta, não acha? (...) Ainda hão-de-ser mais perfeitos e belos do que os dos bons tempos da minha avô Ramalha. (...) Gostaria muito que o senhor escrevesse isto no jornal. Preciso que os jornais comecem a falar de mim. Um dia serei uma grande barrista e é preciso que os jornais falem de mim, de vez em quando.»

 

"A Quinta Feira": conta-me como foi...

3 de Fevereiro de 2014 Nenhum comentário

Circula na internet um vídeo documental da feira de Barcelos, presumivelmente datado de 1974.
Em 11 minutos, o vídeo assinado por Miguel Angel Quintana (de quem supomos ser a voz off, em espanhol) dá conta da riqueza cultural e social da feira semanal de Barcelos, destacando a proeminência do artesanato local e do Galo de Barcelos, que já então se havia afirmado como ícone da nação:

"Aqui, também podemos encontrar toda a rica variedade artesanal de Barcelos: bonecos de louça, bordados de crivo, jugos, instrumentos de música e sobretudo, os famosos galos de Barcelos, que se têm convertido em verdadeiros símbolos de Portugal."

Um tesourinho!


Quem quiser aferir o que mudou nestes 40 anos, pode passar os olhos por um vídeo mais recente, produzido em exclusivo para este projecto. Para ver aqui.


Os amantes de imagens de época não ficarão também indiferentes aos momentos que o fotógrafo português Artur Pastor registou e que já aqui mostrámos, num artigo intitulado Retratos da feira de Barcelos por Artur Pastor.

 

Nelson Oliveira expõe na Trofa e em Vila do Conde

1 de Fevereiro de 2014 Nenhum comentário

Exposição de artesanato de Nelson Oliveira


Não provém de uma família de artesãos e nem sequer pertence ao circuito geográfico onde se concentra a produção oleira no concelho de Barcelos, mas é um dos artesãos da nova geração que mais tem dado que falar. Aos 29 anos de idade, e pouco mais de quatro como artesão, Nelson Oliveira é já um nome firmado do Figurado de Barcelos.


Depois do Prémio Revelação, que conquistou em 2011, na 1ª Gala de Artesanato de Barcelos, com a obra Galinha a Parir, Nelson Oliveira soma prémios e exposições. Em Dezembro passado, venceu o concurso ‘Inovarte’, promovido pela ADERE-Minho, com a peça Um Galo para a Europa. E este mês expõe, a título individual, e em simultâneo, no Auditório Municipal de Vila do Conde e na Casa da Cultura da Trofa.



De 8 a 22 de Fevereiro de 2014, no Auditório Municipal de Vila do Conde
De 9 de Fevereiro a 1 de Março, na Casa da Cultura da Trofa



Saber mais sobre Nelson Oliveira


"Sonho muitas vezes assim. Depois, faço os sonhos no barro."

1 de Fevereiro de 2014 Nenhum comentário

«Certa ocasião fui de longada até Barcelos. Depois, caminhei por uma estrada de terra solta e vermelha, bordejada por vinhas de enforcado e árvores cujas copas se uniam. Queria chegar a São Martinho de Galegos, lugar de barristas, com particular evidência para Rosa Ramalho, ou Ramalha (...).

A obra da Ramalha parecia uma representação das teses surrealistas: harpias, Cristos de várias crucificações, demónios e animais estrambólicos, ciclopes medonhos, mistérios e espantos.

Era uma velha pequena, seca, magra, astuciosa. Às páginas tantas da conversa perguntei-lhe o porquê daquelas esculturas, tão estranhas quanto tenebrosas. Disse-me: "Sonho muitas vezes assim. Depois, faço os sonhos no barro." (...)»


Os retratos próprios e os dos outros

Crónica Baptista Bastos, in Jornal de Negócios (07 Outubro 2011)