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Março 2015

Adufe: dos Mouros a Salazar

21 de Março de 2015 Nenhum comentário

Adufes ou pandeiros rectangulares


O adufe entrou na Península Ibérica na Idade Média, crê-se que por via da ocupação islâmica, tendo origem etimológica precisamente no termo duff, que designa os instrumentos membranofones vulgarmente conhecidos como pandeiros.

Após um período de declínio, que quase ditou a sua extinção da cultura popular portuguesa, é durante a vigência do Estado Novo que o adufe ressurge como “instrumento de apreço nacional”, muito graças à iniciativa do Secretariado de Propaganda Nacional que institui a ruralidade como um valor nacional a preservar, por oposição à natureza desvirtuosa das cidades e à sua influência nociva sobre a moral e os bons costumes. Opera-se então um levantamento do repertório cultural tradicional e um fomento da produção etnográfica, que resgatou o adufe do esquecimento e o colocou no pódio da iconografia nacional, a par de outros símbolos da portugalidade como o galo de Barcelos e os lenços de Viana.