Olá freguês!

Maio 2017

Júlia Côta: uma vida a olhar pró boneco

4 de Maio de 2017 Nenhum comentário

Julia Cota


Há uma semana, a jornalista e escritora Alexandra Lucas Coelho contava-nos, na sua crónica semanal na Antena 1, as suas impressões de Guiné-Bissau, onde estava à data desse relato. O que mais a impressionou, relatou, foram as cores que as mulheres vestem, de uma riqueza tal que parecem desafiar a pobreza que insiste em revelar-se no pé descalço, da cor da terra vermelha de Bissau.


De onde saíram estes panos? De onde saem, quem os sonha? Este amarelo gema, amarelo sol, amarelo canário, laranjas, laranjas, azuis vibrantes, violetas e roxos, vermelhos-sangue, verdes-relva e esmeralda. E as formas que estas cores tomam?” – interrogava a cronista.


Ouvimos este relato e logo nos vêm à ideia as bonecas de Júlia Côta, que tal como as vendedoras de amendoim em Bissau, parece que “todos os dias vestem de festa”. Também as bonecas retratam “mulheres pobres num país pobre”. Falamos da mulher portuguesa do Minho rural da primeira metade do século XX. Na interpretação de Júlia Côta, documentadamente colada à realidade, também elas carregam à cabeça ou nos braços os haveres – sacos, alguidares, embrulhos, animais ou filhos. E não obstante a pobreza, alguém sonhou estes panos e estas cores.
Quem sonhou estes vestidos, os das bonecas, foi Júlia Côta, que é justamente uma das maiores representantes do Figurado de Barcelos.

Agora também representada no nosso catálogo online.

Posted in: Feira de Barcelos