Olá freguês!

Cenas de um casamento


A Adriana e o Jean decidiram casar. Acertadas as datas, puseram os quatro pés ao caminho e as quatro mãos à obra para o grande dia – com assaz tempo de avanço, para nada ficar à mercê das vontades alheias. Com grande afã decidiram as pequenas e as grandes coisas: o vestido dela e o paletó dele, as alianças, a igreja, a quinta, a ementa, a decoração, a sinalética e a lua-de-mel.


E não fosse a empreitada tornar-se uma canseira, trataram logo de lhe dar um tom de brincadeira. Do cinema de animação tomaram de empréstimo o romance mais robótico de todos os tempos: Wall.e, da Disney/Pixar.


E quando tudo parecia estar mais ou menos alinhavado, encontram, ao acaso, uma bota, em barro,  igualzinha àquela em que o Wall-e conservava com fervor a última planta da terra. Nem valia a pena contrariar: ela tinha acabado de escolher os centros de mesa!


Mas não foi bota fácil de descalçar...
Pois decidiu a menina que queria tantas botas quantas as mesas de comensais. Era então época de Natal, altura pouco propícia às encomendas de última hora, não tiveram remédio senão esperar até Janeiro.
Em Janeiro afinal não pôde ser, em Fevereiro não foi, Março passou a voar e em Abril a menina a desesperar…


Por esta altura já o leitor supôs: sim, sim, foi em Barcelos que tudo se compôs.
A partir do original, o artesão-herói fez um novo molde e com ele reproduziu quantas botas a menina quis. E por aqui termina esta história feliz.

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