Olá freguês!

Do barro da terra os criou

22 de Outubro de 2013 Deixe um comentário Ver comentários

Fomos ao encontro do Joaquim Esteves por causa dos iogas – pequenas esculturas de barro, de linhas minimalistas, que havíamos descoberto numa das primeiras incursões à loja da Associação de Artesãos de Barcelos. Emparelhadas com figurados vidrados e coloridos, assinados pelos mais reconhecidos artesãos da casa, as pequenas estátuas negras e baças pareciam destoar, como se pertencessem a um outro mundo.


À nossa chegada, uma cliente apressou o desfecho da visita. Apontou qualquer pormenor nas fotografias amarelecidas que trazia entre as mãos e cumpriu o ritual de despedida. Encomendava um busto. Três passos atrás, aproveitámos as despedidas para observar furtivamente a oficina. Numa mesa mesmo por trás da mão que ostentava as fotografias, dois outros bustos secavam: um homem e uma mulher. E não deixámos de sorrir ao pensar na coincidência daquele gesto de criação: ele – e não Ele – os criara, homem e mulher; do barro da terra os criou.


Mais além, as teias de aranha que pendiam de um casal de esculturas negras evocava o fatal decreto que conhecíamos desse outro Criador: “Ao pó voltarás!”


A visita sai, entrámos nós em cena. O artesão oferece-nos o braço em jeito de cumprimento, como o oleiro sempre faz quando está em exercício, e pergunta-nos ao que vamos.
Ah sim, os iogas!
Mas não, neste momento já não tem nenhum. Vendeu o último faz dias. Com mais vagar, mais há-de fazer.
E a nossa surpresa ante a revelação da origem de todas aquelas coisas: as pequenas esculturas negras foram as primeiras peças que o mestre produziu, já lá vão umas três décadas… Na altura, aviava-as para um conhecido artesão do Algarve e era com o nome daquele que as assinava.

 

 

 

 

 

 

 

 


Saber mais sobre o artesão Joaquim Esteves


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