Olá freguês!

Júlia Côta: uma vida a olhar pró boneco

Júlia Côta é uma das maiores representantes vivas do Figurado de Barcelos, uma expressão forte da cultura popular portuguesa.


Como tantos homens e mulheres da sua geração, Júlia Côta não aprendeu a ler nem a escrever. Foi um colecionador português que a ensinou a rabiscar as iniciais do seu nome, para poder autenticar as peças da sua própria coleção.
Aprendeu a lição, a artista. Desde então, nenhuma peça sai da sua oficina sem o Jota e o Cê gravados na base.


Os seus 'bonecos', como lhes chama, representam invariavelmente figuras e cenas da vida rural de então, como a boneca minhota, e figuras mitológicas enraizadas no imaginário popular, como o Diabo.
Reconhecem-se pelas feições ambíguas, em que se fundem os traços de homem e de mulher, de gente e de bicho, as sobrancelhas marcadas e o imenso colorido das suas roupagens.


Mas não há duas peças iguais: 100% modeladas e pintadas à mão, as peças são idênticas no geral e diversas no particular. Quanto mais o observador se detém, mais detalhes e singularidades se revelam.

 

A Obra de Júlia Côta está agora também disponível no catálogo online.

 

 

 
O diabo é uma das figuras mais presentes no Figurado de Barcelos. Nesta peça, a figura profana apresenta-se com as feições características que lhe atribui o imaginário popular desde tempos medievais (a cor vermelha, a cauda, os chifres e o tridente).

Em vez de diminuir o valor criativo da peça, a colagem ao retrato mitológico revaloriza as marcas autorais, incontestáveis, que encontraram naturalmente o lugar de coabitação com o cliché.

 

 

As bonecas são a representação mais genuína do universo pessoal e criativo de Júlia Côta, uma barrista popular que molda o barro como quem relata o que vê em seu redor – um relato genuíno e despretensioso da vida no Minho rural (as flores, as galinhas, o peixe ou os ovos – elementos que, com pequenas variações, a mulher sempre traz no regaço ou à cabeça); tão genuíno como até, de certo modo, infantil, como se poderá concluir pelo uso invariável de cores fortes como o vermelho, o verde e o azul; e um certo encantamento pelos elementos marcadamente femininos como o chapéu, o decote e os brincos.

 

Saber mais sobre Júlia Côta.

 

Posted in: Feira de Barcelos
Partilha esta publicação
Deixe um comentário Rss
Sem comentários