Olá freguês!

Lavores de Inês

Bordados de Inês Ferreira


Na grande banca branca, no meio do atelier, divisa-se a rotina daquela mulher franzina que já viu a grande roda das estações girar vezes que chegue para saber com que linhas se cose a vida.


Num cantinho,as linhas de cor com que borda os serões: toalhas de baptismo, fraldas e babetes; panos de tabuleiro, lenços de namorados, tapa-jarros e o que mais aprouver à fiel clientela do linho.


O pior é na hora de os deixar ir. É que a Inês não dá ponto sem um nó no coração. Às mãos que lavoram custa-lhes deixar ir o lavor. E às vezes, não há dinheiro que pague esse apego.
“Uma vez até chorei”.
“Chora muitas vezes”, remenda o marido – afinal, a quem ouve um conto, sempre assiste o direito de dar um ponto.


Começa-se então a desfiar o novelo das memórias...


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