Olá freguês!

O New York Times também veio à feira de Barcelos

Louça de barro na feira de Barcelos


Comprar artesanato à sombra das árvores de Barcelos


(...) Uma viagem ao Norte [de Portugal] é uma oportunidade para visitar a pequena e atractiva cidade de Barcelos, com origem no século XIII, e o seu vasto mercado tradicional.


A cidade de Barcelos, situada sobre o rio Cávado, está apenas a cerca de 60 km do Porto, mais ou menos a uma hora de carro. Há igrejas datadas desde o século XIII até ao século XVIII, um palácio do século XVIII, uma ponte velha e um museu arqueológico.

Mas Barcelos é sobretudo conhecido pela sua olaria, pela sua arte popular e pelos seus artesanatos, que podem ser encontrados no seu famoso mercado.


O dia para visitar Barcelos é a quinta-feira, pois é nesse dia que o Campo da Feira se converte num impressionante mercado. O recinto da feira, bem no centro da cidade, ocupa uma vasta área e a maior parte dessa área fica à sombra das árvores. No centro, existe um primoroso chafariz renascentista. Desde a madrugada até ao meio da tarde, os feirantes vendem mercadorias diversas, que vão desde os atoalhados de renda bordados à mão, aos cestos e aos vasos de bronze e de cobre. Também há artigos de cozinha feitos de madeira, tapetes e colchas trabalhadas à mão, olaria, chapéus de palha e mantas de farrapos. Pode-se equipar uma casa inteira com artigos comprados na feira, desde o mobiliário ao recheio da despensa. A seleção é muito vasta e os preços bem razoáveis. Por exemplo, uma toalha de renda e oito guardanapos bordados à mão custam apenas US$40; as panelas de cobre pequenas custam US$6; as malgas de barro decoradas variam entre R$1, as pequenas, e US$4, as grandes; os cobertores de casal compram-se por US$9; e há brinquedos de madeira feitos à mão a partir de US$1.


Os visitantes também poderão apreciar inúmeras versões do galo de Barcelos, que foi adotado como símbolo folclórico de Portugal. Estes galos de barro pintados à mão, disponíveis no mercado em todas as cores e tamanhos imagináveis , têm origem numa lenda medieval que envolve um galego destinado à forca. Tendo-lhe sido concedida uma última oportunidade para defender a sua inocência, apontou o frango assado que o juíz jantava àquela hora e exclamou: ''É tão verdade eu ser inocente como esse galo cantar se eu for levado à forca". O galo efectivamente cantou quando a fatal laçada lhe foi colocada ao pescoço e assim o homem foi libertado.


Depois de visitar a secção de artesanatos, na feira, passamos à seção em que os locais compram comida. Entre centenas de compradores, pode muito bem acontecer de se ser o único turista. Aqui, sucedem-se fileiras e fileiras de mulheres, muitas trajadas de preto da cabeça aos pés, que vendem batatas, cenouras, frutas, tomates e outros produtos das suas hortas, com grande agitação, e às vezes aos encontrões. Algumas trazem cestos cheios de coelhos, patos ou galinhas. Quando se trata de animais vivos, não há preços fixos; o normal é os compradores regatearem os preços.


Artefatos nem sempre fáceis de encontrar na feira são as pequenas figuras de barro, a representar músicos – reminiscências de uma arte primitiva. Estas figuras podem ser encontradas no Centro de Artesanato da Torre da Porta Nova, tal como outros artigos de cerâmica, a preços excelentes. Se não lhe for possível visitar Barcelos numa quinta-feira, pode comprar algum deste artesanato em pequenas lojas da cidade, mas aí provavelmente não encontrará preços tão bons como na feira.


Muitos dos oleiros que actualmente trabalham na região foram influenciados pela falecida Rosa Ramalho. Algumas das suas criaturas imaginárias e fantásticas, em parte humanas e em parte animais, podem ainda ser vistas no Museu de Olaria da cidade. (...)

 


"Buying crafts under the trees of Barcelos", por Lonnie Schlein. New York Times, edição de 9 de Setembro de 1984.
Artigo original disponível em: http://www.nytimes.com/1984/09/09/travel/buying-crafts-under-the-trees-of-barcelos.html

© Tradução e imagem: Feira de Barcelos

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