Olá freguês!

Conta-nos como foi, Agustina: os ofícios tradicionais portugueses na literatura

Tamanqueiro confere o tamanho dos pausPauzeiro confere o tamanho dos paus onde a sola vai ser pregada, para formar os tradicionais tamancos. Pauzeiro e tamanqueiro são ofícios em extinção.  © Feira de Barcelos

 

Agustina Bessa-Luís é um nome incontornável da literatura contemporânea portuguesa.
Nas personagens d'A Sibila, obra-prima publicada pela primeira vez em 1954, assistimos ao desfilar dos ofícios tradicionais portugueses, que caracterizam a vida das comunidades ruraisdo Minho e Douro de meados do século XX. Em apenas três páginas, é-nos apresentads a fiadeira, a tecedeira e o tamanqueiro.

 

É à preservação destes ofícios ou, pelo menos, do saber-fazer que lhes subjaz, que nos dedicamos.
Por isso, é sempre um encanto quando alguém se presta a contar como foi. Sobretudo, se se trata de uma contadora de histórias da dimensão desta querida autora.

 

Agustina, conta-nos então como foi:

 

 

   «Havia algum tempo que estava só, pois a companheira, uma mulherzinha mirrada e delicada a quem aquela comparticipação de vida de tantos anos identificara fraternalmente com ele, morrera docemente, quando estava sentada na beira do caminho, ocupada ainda no seu ofício de fiadeira. 

 
(...)

 

Era tecedeira e chama-se Domingas; viúva, celebrara havia pouco o segundo casamento, com um tamanqueiro remediado de bens que a embeiçara desastradamente. Ela era, de resto, atreita a amores e todos os homens lhe pareciam bem. »



A Sibila, Agustina Bess-Luis, 1954 (ed. Relógio d’Água, 2017, págs 97-99).

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