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'Os últimos dias do vime', no New York Times

24 de Agosto de 2017 Deixe um comentário Ver comentários

Pois tínhamos nós aqui publicado um programa de leitura para as férias, a partir de uma série de artigos de imprensa sobre o artesanato e a revalorização das artes e ofícios tradicionais, e nesse mesmo dia publica o New York Times um artigo, que muito nos aprouve ler, sobre a cestaria tradicional e sobre as oficinas que continuam a fazer mobiliário em vime, empregando técnicas milenares, já em uso na antiga  civilização egípcia. Chama-se ‘Os últimos dias do Vime’, este artigo do NYT.


Parece, à primeira vista, a crónica de uma morte anunciada, mas talvez não seja assim. O interesse crescente do segmento do luxo na mestria artesanal tem assegurado a sobrevivência dos pequenos ateliers de cestaria, quase sempre negócios familiares em funcionamento numa parte da própria habitação. E quem sabe se agora, que parece estar a tornar-se um ofício sexy, a cestaria não atrai mais aprendizes …


Arriscamos aqui a tradução de um extracto, mas vale muito a pena ler este artigo na íntegra, apesar da imperdoável omissão da cestaria portuguesa.

 

«( …) E, de facto, o estilo é antigo — embora o vime tenha atingido o auge no século XIX, quando as rotas comerciais da Ásia asseguravam o abastecimento regular de rattan na Europa, a arte de tecer objectos a partir de fibras naturais recua tão longe quanto a antiga civilização egípcia.

Hoje, contudo, a  cestaria de qualidade é produzida em apenas algumas oficinas antigas, algumas centenárias, a maioria das quais são pequenos negócios familiares. O design evoluiu com os tempos, mas o processo de construção manteve-se basicamente o mesmo, em milhares de anos. (…)

A concorrência chegou sobretudo sob a forma de peças importadas a preços baixos, o que pode ser uma coisa boa, especialmente para os países onde o rattan é cultivado, como a Indónesia e a Malásia.

Mas dificilmente se pode comparar a qualidade ou o design [destas peças importadas] com o trabalho que se realiza nestes estúdios tradicionais. Aqui, artesãos altamente especializados criam peças de mobiliário da forma como sempre se fez: aquece-se as extremidades do rattan, tornando as varas maleáveis para se moldarem à forma das armações de metal, transformando-se em obras de arte funcionais.

 […] Estes últimos ateliers (…) criam as peças de mobiliário mais bonitas, sob todos os pontos de vista. Embora usem as mesma técnicas usadas pelos cesteiros desde há milénios, o estilo de cada atelier reflecte as especificidades de cada país — o que faz da cestaria um pequeno mas adorável prisma através do qual é possível observar o mundo. (...)»



fabrico de cadeira de vime © Danilo Scarpati, via NYT


«( …) And indeed, the style is old — while wicker’s apex was in the 19th century, when trade routes from Asia brought a steady supply of rattan to Europe, the art of weaving objects from natural fibers actually goes back at least as far as ancient Egypt.


Today, however, quality handwoven wicker is still being produced in a few of those original century-old workshops, most of which are small family-run operations. The designs have evolved with the times, but the construction process has barely changed in thousands of years. (Wicker refers to a technique of weaving fibers rather than to any particular material, and so can be done with anything from plant-based elements to synthetics.) These remaining ateliers continue to use natural rattan, the stem of a sturdy yet flexible climbing palm, to form the base of the structure of the piece, and thin spaghetti-like strands harvested from the interior of the stem for the fine weaving work that gives wicker its name. Competition has come mostly in the form of imported cheaper pieces, which might be a fine thing, especially for the countries where rattan grows, like Indonesia and Malaysia. But rarely is the craftsmanship or design comparable to the work coming from these traditional studios. Here, highly skilled artisans create furniture the way they always have: by heating stiff poles of rattan into malleable rods that are bent on a metal frame and willed into functional works of art.


[…] the last ateliers left (…) are by all accounts creating the most beautiful wicker furniture today. While all use the same over-under weaving technique practiced by basket-makers for millennia, the styles of each house are reflections of their individual countries — making wicker a small but lovely prism through which to view the world. (...)»



Ler o artigo original aqui: "The last days of Wicker".



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