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Posts tagged 'Artesãos de Barcelos'

Heaven, Hell and Somewhere In Between: Portuguese Popular Art*

19 de Setembro de 2015 Nenhum comentário

'Virtudes' da artesã barcelense Júlia Ramalho


*Céu, Inferno e algures entre os dois: a arte popular portuguesa é o nome da exposição que o Museu de Antropologia da Universidade da Colúmbia Britânica (MOA), no Canadá, tem patente até ao dia 12 de Outubro de 2015.

O artesanato de Barcelos está muito bem representado nesta mostra, que reúne cerca de 300 trabalhos de artistas e artesãos portugueses.

A Virgem Maria de Laurinda Pias, as Virtudes de Júlia Ramalho e os Diabos de Nelson Oliveira são algumas das peças que inspiraram a temática da exposição, assente na dualidade sagrado e o profano, sempre presente no figurado de Barcelos.

Muitos anos de vida!

22 de Dezembro de 2014 Nenhum comentário


O Natal está à porta, mas hoje não é do Natal que falamos. Hoje, o assunto não pode ser outro senão os imponentes 82 anos que celebra o nosso amigo Fernando da Cunha Ferreira, dos Cobres Cunha – seguramente a casa mais emblemática da cidade de Barcelos. Um postal ilustrado em tamanho real.

E o anfitrião é daqueles à moda antiga. É um gosto passar à porta só para dar um 'Viva' e receber o seu cumprimento sempre afável.

Hoje, se puder, não deixe de passar no nº 8 da Rua da Madalena para lhe dar os Parabéns. Não precisa de ter os alambiques ou cataplanas por pretexto. Ali, é sempre bem-vindo quem vai por bem.

 

Joaquim Esteves: "Gosto de arte, mas não gosto de artistas"

19 de Agosto de 2014 Nenhum comentário

Joaquim Esteves, artesão caricaturista


Joaquim Esteves
é um artesão barcelense e não renega a sua condição. Mas até o observador menos avisado notará no seu trabalho uma ruptura em relação à linguagem estética que caracteriza a generalidade dos artesãos barcelenses.


Com as devidas distinções e marcas pessoais, o que sobressai no artesanato de Barcelos é uma identidade colectiva, com enraizamento no folclore regional, e que transparece nas temáticas, nas formas e nas cores. Nas peças de Joaquim Esteves é outro o discurso – um discurso crítico, mordaz, imune a filtros ou conveniências sociais:


"Uma vez fiz uma exposição e tinha uma peça que era "o embrião do artista". A minha peça era um poio. Isto é a minha definição do artista. O artista, no fundo, é um monte de merda."


São palavras proferidas em discurso directo neste documentário, da autoria de Marco Vale,
que é, a nosso ver, uma boa introdução ao artesão e à sua postura pessoal e artística. Parece não haver margem para meios-termos: ou se ama ou se detesta!

Crónica de uma sucessão (ainda não) anunciada

28 de Abril de 2014 Nenhum comentário

Figurado de Júlia Côta


De muitas formas se podia narrar a história de vida de Júlia Côta. Podíamos contá-la a partir do dia em que nasceu, ou antes, partindo da história da sua mãe, a barrista Rosa Côta; ou até antes disso, ainda no século XIX, quando o avô, Domingos Côto, criou o primeiro Galo de Barcelos, como se diz.


Ou podíamos permanecer em silêncio, a observar as molduras que cobrem as paredes do atelier. Também nelas lemos muitas dessas histórias. São dezenas de molduras e nenhuma está a mais numa narrativa que atravessa dezenas e dezenas de anos.


Atentamos nesses retratos, nesses diplomas e nesses prémios. Do seu posto, observa-nos em silêncio, ciente das histórias que essas molduras contam. Lá quando entende que é o momento, intervém, como que a atribuir um sentido aos pequenos pedaços de história ali emoldurados: “Tudo o que aprendi foi com a minha mãe. Não há dia que me sente aqui e que me não lembre dela”.


E o que aprendeu com a Rosa Côta, a quem vai a Júlia ensinar?

A tenda mais bonita da feira de Barcelos

22 de Abril de 2014 Nenhum comentário

A tenda mais bonita da feira de Barcelos


A tenda do Senhor Carvalho é a mais bonita da feira de Barcelos.
Que nos perdoem os outros feirantes, mas não há tenda que se iguale. Em nenhum outro sítio podemos encontrar, em tão pequena área, uma reconstituição tão fiel das casas e dos modos rurais de antigamente.

Quem teve uma infância no Minho Rural, não deixará de sentir uma estranha supressão do presente ao ver a tenda do senhor Carvalho, que é feirante à quinta-feira e artesão o resto da semana.

 

"Faço isto de olhos fechados"

25 de Março de 2014 Nenhum comentário

Artesão Mário Coutinho


Para quem, de um modo ou de outro, se interessa por artesanato, sempre chegará o dia em que terá de enfrentar o Galo.
Quando o dia chegou, fomos bater à porta do Mário Coutinho.

O plano era acompanharmos a pintura tradicional do galo de Barcelos. Imaginávamos que fosse coisa mais morosa, a julgar pelo pormenor dos motivos. Engano nosso:
“Faço isto de olhos fechados”.


Mais sobre Mário Coutinho

Galos de Barcelos na loja online

 

Dia Internacional do Artesão

19 de Março de 2014 Nenhum comentário

A propósito do Dia Internacional do Artesão, que se assinala hoje, a equipa do Obli foi descobrir os rostos da nova geração de artesãos de Barcelos:

“Reinventar as figuras e os temas tradicionais é o que os jovens barcelenses fazem para se destacarem neste mercado que, em Barcelos, tem o dístico de capital do artesanato. Através de três exemplos, o Obli foi perceber como é visto e trabalhado o artesanato pelas mãos dos mais novos e saber quais as novas ideias para o setor.”

Reportagem para ler na próxima edição do Obli, que sai na próxima quinta-feira, dia 27 de Março, com o Barcelos Popular.

O mais novo já canta de galo!

11 de Março de 2014 Nenhum comentário

Galo da autoria de Telmo Macedo


Esta não é ainda uma história. Em bom rigor, chamar-lhe-íamos apenas a introdução de uma história que está ainda por escrever.
E para introdução bastará dizer que tem 21 anos e é o mais jovem artesão de Barcelos.

 

Saber mais sobre Telmo Macedo

O estranho caso da louça preta

5 de Março de 2014 Nenhum comentário

Louça preta de Prado, em exposição na oficina do artesão Júlio Alonso


Júlio Alonso é um dos mais velhos artesãos de Barcelos no activo e o único que trabalha o barro à moda da louça preta de Prado.
A quem se presta a ouvir a sua já longa história, começa por falar do avô: “O meu avô era espanhol, da Galiza. Alonso é um nome espanhol.”

 

Não sabe ao certo que forças moveram o ascendente espanhol até Prado, onde viria a nascer a primeira e a segunda geração de oleiros portugueses com aquele apelido. Ao que tudo indica, a olaria já era o ofício do patriarca e a preponderância, bem documentada, do então concelho de Prado na produção de louça preta levá-lo-ia à procura de melhor sorte.
Pois foi naquele importante centro oleiro que nasceu, em 1928, o neto do espanhol, e foi ali que se fez também oleiro.

 

Em Galegos Sta. Maria, onde se fixou depois de casar e onde a prática de cozedura diferia da de Prado, a cor negra dos barros de Júlio Alonso parece ter causado consternação. Houve mesmo quem intuísse intervenção do demónio. Os mais ajuizados não se atreveram a tais associações, mas assumiram que seria de outra natureza o barro que o forasteiro levava ao forno – talvez barro preto de si mesmo.
Cedo, porém, se desfizeram as dúvidas: nem os barros eram outros, nem as forças sobrenaturais participavam. Depois de atingir os 1000 graus, a fornalha é guarnecida de combustíveis fumacentos, como a caruma de pinheiro, e o forno é vedado. É tão-só o fumo que faz preta a louça de Prado.


Saber mais sobre Júlio Alonso

 

António Joaquim da Cruz - abanadores

20 de Fevereiro de 2014 Nenhum comentário

Abanador em execução pelo artesão António Joaquim da Cruz


António Joaquim da Cruz
é o único artesão barcelense do ramo da cestaria especializado no fabrico de abanadores.
Em média, faz cerca de 4 abanadores por hora.  Mas estando a armação feita, nem cinco minutos são precisos para tecer cada um!

O ofício não dá muito (nada que se compare com os tempos em que fabricava móveis, numa era em que o país progredia e a todos parecia que só podia melhorar…), mas vai dando para pagar as contas de quem tem a vida feita e os filhos criados.

Estando a obra pronta, passam as carrinhas dos revendedores a recolher. Um deles é nem mais nem menos que a Cestaria Alvarinho, que visitámos há semanas, e que a par da produção própria, revende a produção de outros pequenos artesãos da zona.


Saber mais sobre o artesão