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Posts tagged 'artesanato de cerâmica'

Vilar de Mouros: literatura para festivaleiros (e não só!)

25 de Agosto de 2016 Nenhum comentário

A Fábrica de Louça de Vilar de Mouros

Pormenor da capa do livro "A Fábrica de Louça de Vilar de Mouros (CIRV e Câmara Municipal de Caminha, 2016). Créditos da imagem: goo.gl/nc3Y9f

 

Vilar de Mouros não é conhecida apenas pelo Festival. A vila e a fábrica de louça que nela se fundou no século XIX, integram o roteiro de estudo da faiança portuguesa.


Da história da "única fábrica de louça branca de todo o distrito [de Viana do Castelo]", meritosamente reconstituída na obra A Fábrica de Louça de Vilar de Mouros*, permitimo-nos reproduzir a seguinte passagem, que bem ilustra a dimensão humana do trabalho artesanal.

 

De Espanha também vêm bons pensamentos! Dicas para utilizar andorinhas em projectos de decoração.

13 de Junho de 2015 Nenhum comentário

Andorinhas de cerâmica pretas e brancas


De Espanha nem sempre vêm bons ventos, já se sabe, mas às vezes vêm bons pensamentos.

É o caso destas dicas de decoração, da dupla madrilena RdeRoom, especializada em arquitectura de interiores, que se rendeu aos encantos das nossas andorinhas de cerâmica e lhes dedicou um artigo.


Como usar? De que forma? Em que zonas da casa?


Respostas a todas estas perguntas nas linhas que seguem, em que arriscamos uma tradução do artigo redigido por esta dupla de especialistas "As andorinhas pretas estão na Moda!" (Las golondrinas negras de la moda, no original).

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O New York Times também veio à feira de Barcelos

23 de Abril de 2014 Nenhum comentário

Louça de barro na feira de Barcelos


Há trinta anos, o repórter Lonnie Schlein, do New York Times visitou Barcelos e deixou-se encantar pela feira semanal.
Muita coisa mudou desde então – se cá voltasse agora, já não diria que era o único turista ali a cirandar, por exemplo – mas na sua essência, na sua cor e diversidade, a feira de Barcelos continua igualzinha a si mesma.


O relato desta viagem, sob o título Buying crafts under the trees of Barcelos, pode ser lido na versão original, disponível online, ou na modesta tradução que nos atrevemos a fazer.


Do muito escreveu, o essencial ficou dito em poucas linhas:

“(…) A cidade de Barcelos é sobretudo conhecida pela olaria, pela arte popular e pelos artesanatos, que podem ser encontrados no seu famoso mercado.

O dia para visitar Barcelos é a quinta-feira, pois é nesse dia que o Campo da Feira se converte num impressionante mercado. (…) Desde a madrugada até ao meio da tarde, os feirantes vendem mercadorias diversas, que vão desde os atoalhados de renda bordados à mão, aos cestos e aos vasos de bronze e de cobre. Também há artigos de cozinha feitos de madeira, tapetes e colchas trabalhadas à mão, olaria, chapéus de palha e mantas de farrapos. Pode-se equipar uma casa inteira com artigos comprados na feira, do mobiliário ao recheio da despensa. A seleção é muito vasta e os preços bem razoáveis. (...)”


"Faço isto de olhos fechados"

25 de Março de 2014 Nenhum comentário

Artesão Mário Coutinho


Para quem, de um modo ou de outro, se interessa por artesanato, sempre chegará o dia em que terá de enfrentar o Galo.
Quando o dia chegou, fomos bater à porta do Mário Coutinho.

O plano era acompanharmos a pintura tradicional do galo de Barcelos. Imaginávamos que fosse coisa mais morosa, a julgar pelo pormenor dos motivos. Engano nosso:
“Faço isto de olhos fechados”.


Mais sobre Mário Coutinho

Galos de Barcelos na loja online

 

O mais novo já canta de galo!

11 de Março de 2014 Nenhum comentário

Galo da autoria de Telmo Macedo


Esta não é ainda uma história. Em bom rigor, chamar-lhe-íamos apenas a introdução de uma história que está ainda por escrever.
E para introdução bastará dizer que tem 21 anos e é o mais jovem artesão de Barcelos.

 

Saber mais sobre Telmo Macedo

O estranho caso da louça preta

5 de Março de 2014 Nenhum comentário

Louça preta de Prado, em exposição na oficina do artesão Júlio Alonso


Júlio Alonso é um dos mais velhos artesãos de Barcelos no activo e o único que trabalha o barro à moda da louça preta de Prado.
A quem se presta a ouvir a sua já longa história, começa por falar do avô: “O meu avô era espanhol, da Galiza. Alonso é um nome espanhol.”

 

Não sabe ao certo que forças moveram o ascendente espanhol até Prado, onde viria a nascer a primeira e a segunda geração de oleiros portugueses com aquele apelido. Ao que tudo indica, a olaria já era o ofício do patriarca e a preponderância, bem documentada, do então concelho de Prado na produção de louça preta levá-lo-ia à procura de melhor sorte.
Pois foi naquele importante centro oleiro que nasceu, em 1928, o neto do espanhol, e foi ali que se fez também oleiro.

 

Em Galegos Sta. Maria, onde se fixou depois de casar e onde a prática de cozedura diferia da de Prado, a cor negra dos barros de Júlio Alonso parece ter causado consternação. Houve mesmo quem intuísse intervenção do demónio. Os mais ajuizados não se atreveram a tais associações, mas assumiram que seria de outra natureza o barro que o forasteiro levava ao forno – talvez barro preto de si mesmo.
Cedo, porém, se desfizeram as dúvidas: nem os barros eram outros, nem as forças sobrenaturais participavam. Depois de atingir os 1000 graus, a fornalha é guarnecida de combustíveis fumacentos, como a caruma de pinheiro, e o forno é vedado. É tão-só o fumo que faz preta a louça de Prado.


Saber mais sobre Júlio Alonso

 

Rosa e Júlia Ramalha: barristas

19 de Fevereiro de 2014 Nenhum comentário

'As palavras dos outros', de Baptista Bastos


Depois da crónica em que Baptista Bastos evoca o encontro que um dia teve com a barrista barcelense Rosa Ramalho, quisemos saber mais pormenores sobre esse diálogo que parece ter impressionado o jornalista e escritor a ponto de o recordar décadas mais tarde.


Descobrimos, com agrado, que esse episódio ficou registado numa espécie de livro de memórias. Dias depois, chega-nos pelo correio, vindo da Caparica, um exemplar em segunda mão da segunda edição de “As palavras dos outros” (Editorial Futura,1975). Do índice, saltámos diretamente para a página 93, onde o autor coloca em discurso directa a velha barrista e a sua jovem neta, Júlia Ramalho.


Deixamos aqui apenas algumas passagens de um relato que bem merece uma leitura integral:

«(Baptista Bastos para Júlia Ramalho) - Há quantos anos trabalha no barro?

- Tenho 20. Aí há dez. Isso: quando tinha 10 aos comecei a trabalhar no barro.

- Tem ganho dinheiro?

- Não muito, ainda. Mas tenho a certeza de que ainda hei-de ser uma das maiores barristas de Barcelos.

- Porquê?

- Os meus bonecos são diferentes de todos os outros. São mais perfeitos do que os do João Domingos da Rocha, do Misério ou da Rosa Côta, não acha? (...) Ainda hão-de-ser mais perfeitos e belos do que os dos bons tempos da minha avô Ramalha. (...) Gostaria muito que o senhor escrevesse isto no jornal. Preciso que os jornais comecem a falar de mim. Um dia serei uma grande barrista e é preciso que os jornais falem de mim, de vez em quando.»

 

Do barro da terra os criou

22 de Outubro de 2013 Nenhum comentário

Joaquim Esteves - artesão ceramista e caricaturista


Fomos ao encontro do Joaquim Esteves por causa dos iogas – pequenas esculturas de barro, de linhas minimalistas, que havíamos descoberto numa das primeiras incursões à loja da Associação de Artesãos de Barcelos. Emparelhadas com figurados vidrados e coloridos, assinados pelos mais reconhecidos artesãos da casa, as pequenas estátuas negras e baças pareciam destoar, como se pertencessem a um outro mundo.


À nossa chegada, uma cliente apressou o desfecho da visita. Apontou qualquer pormenor nas fotografias amarelecidas que trazia entre as mãos e cumpriu o ritual de despedida. Encomendava um busto. Três passos atrás, aproveitámos as despedidas para observar furtivamente a oficina. Numa mesa mesmo por trás da mão que ostentava as fotografias, dois outros bustos secavam: um homem e uma mulher. E não deixámos de sorrir ao pensar na coincidência daquele gesto de criação: ele – e não Ele – os criara, homem e mulher; do barro da terra os criou.


Mais além, as teias de aranha que pendiam de um casal de esculturas negras evocava o fatal decreto que conhecíamos desse outro Criador: “Ao pó voltarás!”

 

 

 

Carlos Dias: “Não sou a Cinderela”

5 de Abril de 2013 Nenhum comentário


Vive paredes-meias com os nomes sonantes do figurado de Barcelos, como Júlia Ramalho, Júlia Côta, a família Baraça, a família Mistério e os Pias, mas Carlos Dias demarca-se desse universo.

As formas minimalistas, os rostos sem definição, o formato miniatura e os tons naturais da porcelana e do grés, em contraste com as cores vivas do figurado de Barcelos, são o carimbo inconfundível de um artista que não se sujeita a regras de estilo pré-determinadas e produz apenas aquilo de que realmente gosta. “Não sou a Cinderela. Se tenho um pé grande, não tenho de caber num sapato pequeno. Quero ser livre”.

O público parece apreciar a irreverência. Não falha sequer na coleção de presépios da primeira-dama, Maria Cavaco Silva.

 

Mais sobre Carlos Dias

"Expressões do Figurado de Conceição Sapateiro"

31 de Março de 2013 Nenhum comentário


Conceição Sapateiro é uma das mais reconhecidas artesãs ceramistas em Portugal. Tem uma ascensão rápida no contexto da arte popular portuguesa e ganha inúmeros prémios e distinções em feiras nacionais e internacionais. Destes, destaca-se a distinção como “Embaixatriz do Artesanato Português”, obtida em Tenerife, e o Prémio Nacional de Artesanato (1995/96).


A exposição “Expressões do Figurado de Conceição Sapateiro” oferece uma panorâmica da sua obra e pode ser vista na Sala Gótica dos Paços do Concelho até 28 de Abril.


Exposição
Sala Gótica dos Paços do Concelho (Barcelos)
De 27 Março a 28 de Abril de 2013