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O New York Times também veio à feira de Barcelos

23 de Abril de 2014 Nenhum comentário

Louça de barro na feira de Barcelos


Há trinta anos, o repórter Lonnie Schlein, do New York Times visitou Barcelos e deixou-se encantar pela feira semanal.
Muita coisa mudou desde então – se cá voltasse agora, já não diria que era o único turista ali a cirandar, por exemplo – mas na sua essência, na sua cor e diversidade, a feira de Barcelos continua igualzinha a si mesma.


O relato desta viagem, sob o título Buying crafts under the trees of Barcelos, pode ser lido na versão original, disponível online, ou na modesta tradução que nos atrevemos a fazer.


Do muito escreveu, o essencial ficou dito em poucas linhas:

“(…) A cidade de Barcelos é sobretudo conhecida pela olaria, pela arte popular e pelos artesanatos, que podem ser encontrados no seu famoso mercado.

O dia para visitar Barcelos é a quinta-feira, pois é nesse dia que o Campo da Feira se converte num impressionante mercado. (…) Desde a madrugada até ao meio da tarde, os feirantes vendem mercadorias diversas, que vão desde os atoalhados de renda bordados à mão, aos cestos e aos vasos de bronze e de cobre. Também há artigos de cozinha feitos de madeira, tapetes e colchas trabalhadas à mão, olaria, chapéus de palha e mantas de farrapos. Pode-se equipar uma casa inteira com artigos comprados na feira, do mobiliário ao recheio da despensa. A seleção é muito vasta e os preços bem razoáveis. (...)”


A tenda mais bonita da feira de Barcelos

22 de Abril de 2014 Nenhum comentário

A tenda mais bonita da feira de Barcelos


A tenda do Senhor Carvalho é a mais bonita da feira de Barcelos.
Que nos perdoem os outros feirantes, mas não há tenda que se iguale. Em nenhum outro sítio podemos encontrar, em tão pequena área, uma reconstituição tão fiel das casas e dos modos rurais de antigamente.

Quem teve uma infância no Minho Rural, não deixará de sentir uma estranha supressão do presente ao ver a tenda do senhor Carvalho, que é feirante à quinta-feira e artesão o resto da semana.

 

"Sonho muitas vezes assim. Depois, faço os sonhos no barro."

1 de Fevereiro de 2014 Nenhum comentário

«Certa ocasião fui de longada até Barcelos. Depois, caminhei por uma estrada de terra solta e vermelha, bordejada por vinhas de enforcado e árvores cujas copas se uniam. Queria chegar a São Martinho de Galegos, lugar de barristas, com particular evidência para Rosa Ramalho, ou Ramalha (...).

A obra da Ramalha parecia uma representação das teses surrealistas: harpias, Cristos de várias crucificações, demónios e animais estrambólicos, ciclopes medonhos, mistérios e espantos.

Era uma velha pequena, seca, magra, astuciosa. Às páginas tantas da conversa perguntei-lhe o porquê daquelas esculturas, tão estranhas quanto tenebrosas. Disse-me: "Sonho muitas vezes assim. Depois, faço os sonhos no barro." (...)»


Os retratos próprios e os dos outros

Crónica Baptista Bastos, in Jornal de Negócios (07 Outubro 2011)


E vão oitenta e dois!

2 de Janeiro de 2014 Nenhum comentário

Cobres Cunha - desde 1932


Há muito muito tempo – há coisa de 100 anos – vivia em Braga um senhor, de seu nome Manoel da Cunha Ferreira, que tinha como ganha-pão um ofício a que chamavam caldeireiro. Diz quem sabe que o nome tem origem na tradição cigana. Contas de outro rosário….
Seja como for, este senhor fazia alambiques, caldeiras, chaminés e outras utilidades em cobre. Fazia-os artesanalmente, que é como quem diz, à força de bater o martelo.


Esse senhor tinha três filhos. Os três enveredaram pelo ofício do pai. Mas é o mais novo que interessa aqui para o caso.


Pois bem, quando o caçula se fez moço e decidiu assentar, foi no livro de assentos do pai que procurou orientação. Pelos registos dos deves e haveres, pareceu-lhe que Barcelos era o caminho. Pelo menos, era dali que vinha grande parte da clientela do pai – ou não fosse Barcelos o maior concelho do país!


João da Cunha Ferreira estabelece-se então em frente da Capela de São José, em Barcelos. E é nos fundos da casa que funda a sua própria oficina de cobres, que abre as portas ao público no dia 2 de Janeiro de 1932 – há precisamente 82 anos! Parabéns!

 

Saber mais sobre os Cobres Cunha



Artigos relacionados:

O cobre está de volta!

Cobres Cunha: Linhagem de Caldeireiros



A brincar é que a gente se entende

9 de Junho de 2013 Nenhum comentário

Fernando Soares - alfaias agrícolas em miniatura e brinquedos tradicionais de madeira

Não nos surpreenderia ter visto gnomos e duendes a seriar as peças das criaturas articuladas que povoam o atelier do senhor Soares. Do meio das máquinas e ferramentas, emergem as personagens de um imaginário que se perde na memória dos tempos. Até o Zé Moleiro anda por ali...


E não será de espantar ver, vez por outra, umas pernas ou uns braços como-que-perdidos. Perdidos não estão, só aguardam a vez de serem articulados a um qualquer Malaquias pinchão.


E ainda não vimos nada! Encostados a uma parede, empilham-se, como construções de legos, caixas e caixas de cartão, cheias de brinquedos. Com desembaraço, desempilha-as e volta a empilhá-las, para nos mostrar aviões e avionetas, comboios, carrinhos, patos, carrosséis, cavalinhos, iô-iôs, piões, fisgas, “rapas”, jogos do galo, e "pinta-tu".


Noutra caixa, teares, sarilhos e um rol de outros utensílios do linho de que já nem lembramos o nome - tudo em miniatura, porque tem mais graça a fazer-de-conta.


De vez em quando, suspende aquele abre-caixa-fecha-caixa, tira qualquer coisa das entranhas do papelão e pergunta, sem realmente esperar resposta, porque há muito que sabe que sim: “É mesmo giro, não é?”.


Viemos embora intrigados: será mesmo na Lapónia a oficina do Pai Natal?

 

Mais sobre Fernando Soares

"Os paus, uns nascem para santos, outros para tamancos"

11 de Maio de 2013 Nenhum comentário


Tudo começou no Facebook, onde a D. Joaquina Torres comentou a imagem de uma banca de socos: “Olha os socos, parte do meu trabalho”. Sem perceber nada, quisemos saber tudo e logo ali ficou concertada uma visita à oficina onde ela e o marido, o sr. Joaquim, mantêm vivo um ofício em extinção.

São pauzeiros. Da madeira de amieiro, conhecida pela leveza e resistência à água, fazem os “paus”, como se chamam as solas de madeira onde um dia um tamanqueiro há-de pregar o couro e, assim, compor o típico calçado rural do Douro e Minho d’antigamente – os socos ou tamancos.


Os dois produzem ali cerca de 30 pares de solas por dia – quase nada, comparado com os quase mil pares que saíam diariamente da fábrica de paus de que, em tempos, o Joaquim foi sócio.

 

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