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Posts tagged 'cestaria'

'Os últimos dias do vime', no New York Times

24 de Agosto de 2017 Nenhum comentário


© Danilo Scarpati, via NYT


Pois tínhamos nós aqui publicado um programa de leitura para as férias, a partir de artigos de imprensa centrados no artesanato e na revalorização das artes e ofícios tradicionais, e nesse mesmo dia publica o New York Times um artigo, que muito nos aprouve ler, sobre a cestaria tradicional e sobre as oficinas que continuam a fazer mobiliário em vime, empregando técnicas milenares, já em uso na civilização egípcia. Chama-se ‘Os últimos dias do Vime’, este artigo do NYT.


Parece, à primeira vista, a crónica de uma morte anunciada, mas talvez não seja assim. O interesse crescente do segmento do luxo na mestria artesanal tem assegurado a sobrevivência dos pequenos ateliers de cestaria, quase sempre negócios familiares em funcionamento numa parte da própria habitação. E quem sabe se agora, que a cestaria parece estar a tornar-se um ofício sexy, não atrai mais aprendizes …


Vale muito a pena ler este artigo, apesar da imperdoável omissão da cestaria portuguesa.

Nuestros hermanos, os cesteiros de Vigo

3 de Setembro de 2014 Nenhum comentário


No casco velho da vizinha cidade de Vigo, no exacto ponto para onde apontam os roteiros turísticos, há uma ruela medieva que apela aos transeuntes, como se a subida sinuosa prometesse uma oculta recompensa, lá atrás daquela última esquina. Quem, por distração ou por efeito do cansaço da subida, não prestar atenção à sinalética toponímica, intuitivamente a lembrará pelo seu nome efectivo – Rua dos Cesteiros.


Foram portugueses os cesteiros que lhe deram o nome. Ali se foram estabelecendo, desde o século XVIII, vindos da freguesia de Gonçalo, na Guarda, ainda hoje conhecida pela sua proeminência no ofício da cestaria.


António Joaquim da Cruz - abanadores

20 de Fevereiro de 2014 Nenhum comentário

Abanador em execução pelo artesão António Joaquim da Cruz


António Joaquim da Cruz
é o único artesão barcelense do ramo da cestaria especializado no fabrico de abanadores.
Em média, faz cerca de 4 abanadores por hora.  Mas estando a armação feita, nem cinco minutos são precisos para tecer cada um!

O ofício não dá muito (nada que se compare com os tempos em que fabricava móveis, numa era em que o país progredia e a todos parecia que só podia melhorar…), mas vai dando para pagar as contas de quem tem a vida feita e os filhos criados.

Estando a obra pronta, passam as carrinhas dos revendedores a recolher. Um deles é nem mais nem menos que a Cestaria Alvarinho, que visitámos há semanas, e que a par da produção própria, revende a produção de outros pequenos artesãos da zona.


Saber mais sobre o artesão

Cestaria Alvarinho: quatro mãos não chegam!

25 de Novembro de 2013 Nenhum comentário

Cestos de Lenha da Cestaria Alvarinho


Atirados ao sol, no quintal das traseiras, os cestos de lenha fazem adivinhar a vontade de lareira que já acomete a freguesia, nestes últimos dias de Outono. No ar, paira ainda o cheiro de verniz que uma tarde de sol não secou completamente.

Foi com a mulher que diligenciámos a visita, mas é ao homem que cabem as honras da casa. Era ainda madrugada quando a Júlia abalou, no camião atravancado de obra, rumo à feira dos Domingos.

A recepção amistosa não disfarça o nervoso miudinho. É que o tempo escasseia. São 400 cestos para entregar até ao final da semana e as mãos são só duas. Não em rigor, verdade seja dita. O mais velho já ajuda na oficina, mas o tempo corre veloz e as mãos são sempre poucas.

Pois não o façamos perder tempo. Uma visita rápida à oficina e duas de treta, com a promessa de retorno.

Mas não se inquiete o leitor, que a pergunta não ficou pendurada. Não, este Alvarinho nada tem que ver com o vinho verde – excepção devida aos cestos das vindimas… Este é só um caso de baptismo popular. É do lado da mulher que vem o nome e o ofício. O avô era Álvaro, “Alvarinhos” ficaram os filhos e netos e quem mais se lhes uniu. Não são precisas mais indicações. Na freguesia de Silveiros, quem tem boca vai lá ter.

 

Mais sobre a Cestaria Alvarinho

Outros cesteiros

 

Gaba-te cesto que vais à vindima!

13 de Outubro de 2013 Nenhum comentário

Cesto de verga

Talvez sugestionados pelo cheiro de uvas esmagadas, que fica à passagem dos últimos tratores que andam ao serviço das vindimas, pusemos os pés ao caminho, rumo à casa do Senhor Pereira, cesteiro há nada mais nada menos que meio século.


E se íamos com a ideia nos cestos de vindima, ficamos logo a saber que cestos, como os chapéus, há muitos! Nós bem que escrevinhámos, à medida que o mestre enumerava do alto do seu meio século de saber, tentando debalde relacionar o nome com as feições das peças que se empilhavam na nossa frente, mas era exercício para que não tínhamos treino bastante, pelo que não admira que do rol nos tenham escapado alguns: ele há cestos de lavoura, cestos de vindima (e aqui, temos os de Guimarães, os do Douro…), cestos de lenha, cestos de roupa (os da suja e os da lavada), os cestos de pesca, os barreleiros, os merendeiros e as condessas. Feitos em miolo de vime, vindo de Santiago do Chile; em cana de bambu, colhida na zina de Vila Verde; em medula de Bambu, vinda da Índia e comprada a importadores espanhóis; ou em tala de pinho, cortado nas nossas matas e cavacado ali mesmo na oficina; em cor natural ou tingidos com viochene; forrados em tecido de juta ou em bruto – há cestos de todas as formas e feitios, para todos os usos e costumes.
De cestaria tradicional estamos, pois, mais ou menos conversados.


Entramos agora no capítulo das novidades, que isto já se sabe: mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, e parar é morrer. E se não foi o caso de a necessidade aguçar o engenho, pois que a bom obreiro nunca faltou a clientela, de grande habilidade deu prova o artista. Que o diga o júri da Feira Internacional de Artesanato (FIA), que este ano, em que o artesão pela primeira vez participou no certame, lhe atribuiu, de chofre, o segundo lugar e uma menção honrosa. O primeiro mereceu-o o alforge de bicicleta em vime, tão a preceito dos ares dos tempos. A menção honrosa, valeu-lha a mimosa cama de bebé em madeira e vime.
Parabéns ao mestre!