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Dá cá aquela palha!

20 de Maio de 2015 Nenhum comentário

Chapéus de palha


Aos nossos seguidores mais fiéis não terá escapado a entrada em catálogo de um produto há muito procurado: os tradicionais chapéus de palha de centeio.


Chapéus de variadas forma e para diferentes finalidades: de abas largas, de abas curtas, de copa alta, de copa baixa.


Os nomes por que ficaram popularmente conhecidos derivam ora da forma, ora da origem ou do uso que se lhes atribuiu: Travessão, o chapéu de abas muito largas, usado pelas lavradeiras nas longas jornadas de exposição ao sol; Tirolês, o chapéu masculino de passeio, reprodução do modelo alpino; Tonico, inspirado na personagem da telenovela 'Gabriela, Carvo e Canela'; Vaso, o chapéu de senhora de abas curtas e copa em forma de V invertido; Capelina, o chapéu de copa quadrangular.


Qual é o seu favorito?



Chapéus, houve muitos, em Cambeses

6 de Abril de 2014 Nenhum comentário

Brasão da freguesia de Cambeses, onde os tradicionais chapéus de palha estão ainda inscritos

De um artigo do Barcelos Popular, datado de 2006, aprendemos que chapéus, houve-os muitos, em Cambeses.

Sendo uma tarefa quase exclusiva das mulheres, a confeção de chapéus de palha de centeio parece ter sido parte fundamental do sustento das famílias da freguesia.


À data em que o artigo foi publicado, havia ainda quem os fizesse e a preocupação então expressa era a viabilidade futura da tradição.


Foi com essa expectativa que nos fizemos ao caminho.
Mas a experiência foi um desolo: do artesanato típico de Cambeses já só resta o brasão da freguesia, onde o chapéu de copa alta e aba larga foi inscrito, como que a fazer jus à memória daquelas mães.


Os transeuntes, apanhados de surpresa e claramente desabituados da pergunta, iam dizendo que não, que não sabiam, que não, que não conheciam; entre os mais velhos, sempre encontrámos quem recordasse uma ou outra chapeleira na família. “Mas agora…”.


De porta em porta, os relatos sucediam-se, sempre no pretérito perfeito.
Ouvimos repetida, até, a história de gente já falecida a quem são ainda endereçados convites para participar em mostras de artesanato.


Na junta de freguesia informaram-nos, por fim, que na rua do Monte existe ainda uma senhora, na casa dos oitenta, que criou os filhos com o sustento dos chapéus. Deram-nos as indicações para lá chegarmos e uma recomendação para não levarmos ilusões.


Sem ilusões, lá fomos.
Recebeu-nos recolhida na cama. Também ela recebera há dias um convite para expor. Mas não vai. 
“Como é que eu ia, nestas condições?”.