Olá freguês!

Posts tagged 'Feira de Barcelos'

De Espanha também vêm bons pensamentos! Dicas para utilizar andorinhas em projectos de decoração.

13 de Junho de 2015 Nenhum comentário

Andorinhas de cerâmica pretas e brancas


De Espanha nem sempre vêm bons ventos, já se sabe, mas às vezes vêm bons pensamentos.

É o caso destas dicas de decoração, da dupla madrilena RdeRoom, especializada em arquitectura de interiores, que se rendeu aos encantos das nossas andorinhas de cerâmica e lhes dedicou um artigo.


Como usar? De que forma? Em que zonas da casa?


Respostas a todas estas perguntas nas linhas que seguem, em que arriscamos uma tradução do artigo redigido por esta dupla de especialistas "As andorinhas pretas estão na Moda!" (Las golondrinas negras de la moda, no original).

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Que lindo vai o poeta!

16 de Maio de 2014 Nenhum comentário

Pelo céu cor de violeta,

que lindo,

que lindo vai o poeta.

Pôs uma camisa branca

e sapatos amarelos

as calças agarradinhas

são da feira de Barcelos.

Pelo céu vai o poeta.

Sobe, sobe de bicicleta.


Eugénio de Andrade, "Andanças de Poeta"

O New York Times também veio à feira de Barcelos

23 de Abril de 2014 Nenhum comentário

Louça de barro na feira de Barcelos


Há trinta anos, o repórter Lonnie Schlein, do New York Times visitou Barcelos e deixou-se encantar pela feira semanal.
Muita coisa mudou desde então – se cá voltasse agora, já não diria que era o único turista ali a cirandar, por exemplo – mas na sua essência, na sua cor e diversidade, a feira de Barcelos continua igualzinha a si mesma.


O relato desta viagem, sob o título Buying crafts under the trees of Barcelos, pode ser lido na versão original, disponível online, ou na modesta tradução que nos atrevemos a fazer.


Do muito escreveu, o essencial ficou dito em poucas linhas:

“(…) A cidade de Barcelos é sobretudo conhecida pela olaria, pela arte popular e pelos artesanatos, que podem ser encontrados no seu famoso mercado.

O dia para visitar Barcelos é a quinta-feira, pois é nesse dia que o Campo da Feira se converte num impressionante mercado. (…) Desde a madrugada até ao meio da tarde, os feirantes vendem mercadorias diversas, que vão desde os atoalhados de renda bordados à mão, aos cestos e aos vasos de bronze e de cobre. Também há artigos de cozinha feitos de madeira, tapetes e colchas trabalhadas à mão, olaria, chapéus de palha e mantas de farrapos. Pode-se equipar uma casa inteira com artigos comprados na feira, do mobiliário ao recheio da despensa. A seleção é muito vasta e os preços bem razoáveis. (...)”


A tenda mais bonita da feira de Barcelos

22 de Abril de 2014 Nenhum comentário

A tenda mais bonita da feira de Barcelos


A tenda do Senhor Carvalho é a mais bonita da feira de Barcelos.
Que nos perdoem os outros feirantes, mas não há tenda que se iguale. Em nenhum outro sítio podemos encontrar, em tão pequena área, uma reconstituição tão fiel das casas e dos modos rurais de antigamente.

Quem teve uma infância no Minho Rural, não deixará de sentir uma estranha supressão do presente ao ver a tenda do senhor Carvalho, que é feirante à quinta-feira e artesão o resto da semana.

 

Artesanato e Feiras de Barcelos, por Carlos Basto

2 de Março de 2014 Nenhum comentário


"Artesanato e Feiras de Barcelos"
é um colectânea de obras, da autoria do artista plástico barcelense Carlos Basto, produzidas em diversos momentos da sua vida e com recurso a diferentes técnicas, sobre as temáticas do artesanato e das feiras de Barcelos.


Além da reprodução de várias dezenas de pinturas temáticas, este livro reúne ainda uma série de testemunhos de destacadas individualidades do meio literário português, como Maria do Pilar Figueiredo, Mário Cláudio, José Carlos de Vasconcelos e Manuel António Pina, entre outros, que relatam, na primeira pessoa, as suas próprias memórias da feira de Barcelos.


Título: Artesanato e Feiras de Barcelos
Autor: Carlos Basto      
Edição/reimpressão: 2008
Páginas: 106
Editor: Figueirinhas
ISBN: 9789726612124

 

"A Quinta Feira": conta-me como foi...

3 de Fevereiro de 2014 Nenhum comentário

Circula na internet um vídeo documental da feira de Barcelos, presumivelmente datado de 1974.
Em 11 minutos, o vídeo assinado por Miguel Angel Quintana (de quem supomos ser a voz off, em espanhol) dá conta da riqueza cultural e social da feira semanal de Barcelos, destacando a proeminência do artesanato local e do Galo de Barcelos, que já então se havia afirmado como ícone da nação:

"Aqui, também podemos encontrar toda a rica variedade artesanal de Barcelos: bonecos de louça, bordados de crivo, jugos, instrumentos de música e sobretudo, os famosos galos de Barcelos, que se têm convertido em verdadeiros símbolos de Portugal."

Um tesourinho!


Quem quiser aferir o que mudou nestes 40 anos, pode passar os olhos por um vídeo mais recente, produzido em exclusivo para este projecto. Para ver aqui.


Os amantes de imagens de época não ficarão também indiferentes aos momentos que o fotógrafo português Artur Pastor registou e que já aqui mostrámos, num artigo intitulado Retratos da feira de Barcelos por Artur Pastor.

 

Tudo e mais alguma coisa, diz ele...

27 de Outubro de 2013 Nenhum comentário

José Quitério, o mais conceituado crítico gastronómico do país, andou por Barcelos, a pretexto da sua coluna semanal para o Expresso.

E se lá foi para se sentar à mesa do Bagoeira e vir depois contar como foi, não resistiu a fazer, antes disso, um apontamento ao acampamento de tendas brancas que todas as quintas-feiras se monta mesmo à porta do restaurante:

 

“(...) Não se esgota por aqui a medievalidade e muito menos a monumentalidade barcelense. O que arrisca esgotar-se-me é o espaço, pelo que dou o necessário salto no tempo, não sem antes referir o vastíssimo Largo da Feira, onde todas as quintas-feiras se merca tudo e mais alguma coisa da ruralidade e do artesanato, constituindo, no género, a maior feira minhota. (...)”

Zelos em Barcelos, por José Quitério
REVISTA [Expresso 26/Out/2013]

 

 

Gaba-te cesto que vais à vindima!

13 de Outubro de 2013 Nenhum comentário

Cesto de verga

Talvez sugestionados pelo cheiro de uvas esmagadas, que fica à passagem dos últimos tratores que andam ao serviço das vindimas, pusemos os pés ao caminho, rumo à casa do Senhor Pereira, cesteiro há nada mais nada menos que meio século.


E se íamos com a ideia nos cestos de vindima, ficamos logo a saber que cestos, como os chapéus, há muitos! Nós bem que escrevinhámos, à medida que o mestre enumerava do alto do seu meio século de saber, tentando debalde relacionar o nome com as feições das peças que se empilhavam na nossa frente, mas era exercício para que não tínhamos treino bastante, pelo que não admira que do rol nos tenham escapado alguns: ele há cestos de lavoura, cestos de vindima (e aqui, temos os de Guimarães, os do Douro…), cestos de lenha, cestos de roupa (os da suja e os da lavada), os cestos de pesca, os barreleiros, os merendeiros e as condessas. Feitos em miolo de vime, vindo de Santiago do Chile; em cana de bambu, colhida na zina de Vila Verde; em medula de Bambu, vinda da Índia e comprada a importadores espanhóis; ou em tala de pinho, cortado nas nossas matas e cavacado ali mesmo na oficina; em cor natural ou tingidos com viochene; forrados em tecido de juta ou em bruto – há cestos de todas as formas e feitios, para todos os usos e costumes.
De cestaria tradicional estamos, pois, mais ou menos conversados.


Entramos agora no capítulo das novidades, que isto já se sabe: mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, e parar é morrer. E se não foi o caso de a necessidade aguçar o engenho, pois que a bom obreiro nunca faltou a clientela, de grande habilidade deu prova o artista. Que o diga o júri da Feira Internacional de Artesanato (FIA), que este ano, em que o artesão pela primeira vez participou no certame, lhe atribuiu, de chofre, o segundo lugar e uma menção honrosa. O primeiro mereceu-o o alforge de bicicleta em vime, tão a preceito dos ares dos tempos. A menção honrosa, valeu-lha a mimosa cama de bebé em madeira e vime.
Parabéns ao mestre!

 

Retratos da Feira de Barcelos, por Artur Pastor

30 de Julho de 2013 Nenhum comentário

Feira de Barcelos. Fotografia de Artur Pastor. © Arquivo Municipal da Câmara de Lisboa© Arquivo Municipal da Câmara de Lisboa

 

A nossa leitora Ana Patrícia Ferreira teve a amabilidade de nos apontar o caminho para o fantástico espólio de Artur Pastor – justamente lembrado como “O Poeta da Fotografia”–, adquirido em 2001 pelo Arquivo Municipal de Lisboa, em que se incluem 22 impressionantes retratos, a preto e branco, da feira de Barcelos, tal como vem descrita nas memórias de quem a conheceu nos seus tempos áureos, como é o caso dos ilustres escritores José Carlos Vasconcelos e Maria do Pilar Figueiredo, cujos testemunhos já aqui transcrevemos, ou do nosso conterrâneo pintor Carlos Basto, que tantas vezes a reproduziu na tela, com igual rigor fotográfico.

 

Além das memórias que certamente evocam aos contemporâneos destes retratos, como de resto atestam os comentários entretantos colocados na página de Facebook, estas imagens propiciam toda uma série de questões e interpretações, de âmbito multidisciplinar – desde logo, as dimensões artística, histórica e social ... e a lista poderia prosseguir quase infinitamente.

Uma das questões mais óbvias será, arriscamo-nos a dizer, a presença preponderante da mulher nestes retratos. O que revela, afinal? O olhar tendencioso/obsessivo do artista? Um dado histórico, com enraizamento socio-económico? 


Para consultar este arquivo ou mesmo adquirir alguma(s) imagem(ns), basta seguir este link e colocar no campo de pesquisa o termo "feira de Barcelos".

 

A Feira de Barcelos, por Mário Cláudio

1 de Dezembro de 2012 Nenhum comentário

Retrato de Mário Cláudio por Carlos Basto

Ocarinas

"Nas manhãs de feira levavam-me de Cabreiros a Barcelos, e a criança que eu era descobria o mistério das ocarinas. Pintadas a azul, a amarelo, ou a vermelho, moldavam-se como a pomba insigne que Picasso não desdenharia. Cabiam por inteiro na concha da minha mão, e o barro de que eram feitas, húmido de saliva, deixava-me na boca aquele sabor a terra que para um menino equivale à maior conquista do Mundo. Quanto ao som que delas eu extraía, quanto a esse, uma vezes cavo, outras estridente, nenhum como ele se mostrava digno da escala dos anjos extravagantes que só em Barcelos moram, e que alguém retratou dotados de seis dedos em cada pé, nos azulejos da Igreja do Senhor da Cruz.
Nunca o homem crescido em que me tornei acharia equiparável maravilha."

 

Mário Cláudio (2007)*
in 'Artesanato e Feiras de Barcelos', Carlos Basto (Figueirinhas 2008)
*Escritor. Retrato por Carlos Basto (ibidem)