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Posts tagged 'olaria'

Nas mãos do oleiro

5 de Maio de 2014 Nenhum comentário

Oleiro


Nas mãos do oleiro

o universo descobre-se
inacabado


José Tolentino Mendonça, in A Papoila e o Monge, Lisboa, Assírio & Alvim, 2013.


Posted in: Feira de Barcelos Tags: poesiaoleiroolaria

O estranho caso da louça preta

5 de Março de 2014 Nenhum comentário

Louça preta de Prado, em exposição na oficina do artesão Júlio Alonso


Júlio Alonso é um dos mais velhos artesãos de Barcelos no activo e o único que trabalha o barro à moda da louça preta de Prado.
A quem se presta a ouvir a sua já longa história, começa por falar do avô: “O meu avô era espanhol, da Galiza. Alonso é um nome espanhol.”

 

Não sabe ao certo que forças moveram o ascendente espanhol até Prado, onde viria a nascer a primeira e a segunda geração de oleiros portugueses com aquele apelido. Ao que tudo indica, a olaria já era o ofício do patriarca e a preponderância, bem documentada, do então concelho de Prado na produção de louça preta levá-lo-ia à procura de melhor sorte.
Pois foi naquele importante centro oleiro que nasceu, em 1928, o neto do espanhol, e foi ali que se fez também oleiro.

 

Em Galegos Sta. Maria, onde se fixou depois de casar e onde a prática de cozedura diferia da de Prado, a cor negra dos barros de Júlio Alonso parece ter causado consternação. Houve mesmo quem intuísse intervenção do demónio. Os mais ajuizados não se atreveram a tais associações, mas assumiram que seria de outra natureza o barro que o forasteiro levava ao forno – talvez barro preto de si mesmo.
Cedo, porém, se desfizeram as dúvidas: nem os barros eram outros, nem as forças sobrenaturais participavam. Depois de atingir os 1000 graus, a fornalha é guarnecida de combustíveis fumacentos, como a caruma de pinheiro, e o forno é vedado. É tão-só o fumo que faz preta a louça de Prado.


Saber mais sobre Júlio Alonso

 

Rosa e Júlia Ramalha: barristas

19 de Fevereiro de 2014 Nenhum comentário

'As palavras dos outros', de Baptista Bastos


Depois da crónica em que Baptista Bastos evoca o encontro que um dia teve com a barrista barcelense Rosa Ramalho, quisemos saber mais pormenores sobre esse diálogo que parece ter impressionado o jornalista e escritor a ponto de o recordar décadas mais tarde.


Descobrimos, com agrado, que esse episódio ficou registado numa espécie de livro de memórias. Dias depois, chega-nos pelo correio, vindo da Caparica, um exemplar em segunda mão da segunda edição de “As palavras dos outros” (Editorial Futura,1975). Do índice, saltámos diretamente para a página 93, onde o autor coloca em discurso directa a velha barrista e a sua jovem neta, Júlia Ramalho.


Deixamos aqui apenas algumas passagens de um relato que bem merece uma leitura integral:

«(Baptista Bastos para Júlia Ramalho) - Há quantos anos trabalha no barro?

- Tenho 20. Aí há dez. Isso: quando tinha 10 aos comecei a trabalhar no barro.

- Tem ganho dinheiro?

- Não muito, ainda. Mas tenho a certeza de que ainda hei-de ser uma das maiores barristas de Barcelos.

- Porquê?

- Os meus bonecos são diferentes de todos os outros. São mais perfeitos do que os do João Domingos da Rocha, do Misério ou da Rosa Côta, não acha? (...) Ainda hão-de-ser mais perfeitos e belos do que os dos bons tempos da minha avô Ramalha. (...) Gostaria muito que o senhor escrevesse isto no jornal. Preciso que os jornais comecem a falar de mim. Um dia serei uma grande barrista e é preciso que os jornais falem de mim, de vez em quando.»

 

"Sonho muitas vezes assim. Depois, faço os sonhos no barro."

1 de Fevereiro de 2014 Nenhum comentário

«Certa ocasião fui de longada até Barcelos. Depois, caminhei por uma estrada de terra solta e vermelha, bordejada por vinhas de enforcado e árvores cujas copas se uniam. Queria chegar a São Martinho de Galegos, lugar de barristas, com particular evidência para Rosa Ramalho, ou Ramalha (...).

A obra da Ramalha parecia uma representação das teses surrealistas: harpias, Cristos de várias crucificações, demónios e animais estrambólicos, ciclopes medonhos, mistérios e espantos.

Era uma velha pequena, seca, magra, astuciosa. Às páginas tantas da conversa perguntei-lhe o porquê daquelas esculturas, tão estranhas quanto tenebrosas. Disse-me: "Sonho muitas vezes assim. Depois, faço os sonhos no barro." (...)»


Os retratos próprios e os dos outros

Crónica Baptista Bastos, in Jornal de Negócios (07 Outubro 2011)


Câmara de Barcelos promove intrumentos musicais de barro

12 de Março de 2013 Nenhum comentário

O Município de Barcelos está a promover o projeto de criação de um grupo musical, formado por crianças e jovens, com instrumentos de barro. Trata-se de uma iniciativa do Pelouro da Cultura, que pretende juntar a música ao artesanato, designadamente o artesanato de barro.

 

Para implementar este projeto, o executivo municipal aprovou um protocolo de cooperação com a Banda Musical de Oliveira e com a ATAHCA (Associação de Desenvolvimento das Terras Altas do Homem, Cávado e Ave), cabendo ao Museu de Olaria de Barcelos o desenvolvimento dos objetivos de salvaguarda do património que integra aquele Museu ou que venham a ser produzidos. A Banda Musical de Oliveira – uma instituição com mais de 230 anos – tem neste projeto um papel fundamental, uma vez que junta a tradição musical com a tradição do artesanato em barro.

 

No âmbito deste projeto, vai criar um grupo musical, formado por crianças e jovens, com instrumentos de barro, comprometendo-se a realizar vários concertos durante o ano. Por sua vez, a ATAHCA vai adquirir 60 instrumentos musicais em barro, 30 estojos de madeira e 30 uniformes para o grupo musical, a criar pela Banda de Oliveira.

 

O Município dará o apoio financeiro necessário à formação das crianças e jovens que vão constituir o grupo musical. Através do Museu de Olaria vai desenvolver o estudo dos instrumentos musicais em barro que integram o seu acervo, produzir uma exposição que apresente os instrumentos tradicionais e que integram a coleção do Museu e os instrumentos que serão executados e produzir um catálogo com o resultado da investigação desta temática.