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Posts tagged 'Rosa Ramalho'

RTP disponibiliza reportagem de 1968 com Rosa Ramalho

8 de Março de 2017 Nenhum comentário

A RTP acaba de disponibilizar online um arquivo com mais de 6000 peças produzidas para rádio e televisão desde 1936.


Dos milhares de bons motivos por que vale a pena perder-se a navegar por este acervo, destacamos um que nos é particularmente querido: é uma reportagem de 1968 com a ceramista Rosa Ramalho, já então com 80 anos (viria a falecer em 1977) – uma personalidade de “sensibilidade inquieta”, como faz notar o repórter, e que é ainda hoje considerada um vulto maior da arte popular portuguesa e do figurado de Barcelos, em particular.

O New York Times também veio à feira de Barcelos

23 de Abril de 2014 Nenhum comentário

Louça de barro na feira de Barcelos


Há trinta anos, o repórter Lonnie Schlein, do New York Times visitou Barcelos e deixou-se encantar pela feira semanal.
Muita coisa mudou desde então – se cá voltasse agora, já não diria que era o único turista ali a cirandar, por exemplo – mas na sua essência, na sua cor e diversidade, a feira de Barcelos continua igualzinha a si mesma.


O relato desta viagem, sob o título Buying crafts under the trees of Barcelos, pode ser lido na versão original, disponível online, ou na modesta tradução que nos atrevemos a fazer.


Do muito escreveu, o essencial ficou dito em poucas linhas:

“(…) A cidade de Barcelos é sobretudo conhecida pela olaria, pela arte popular e pelos artesanatos, que podem ser encontrados no seu famoso mercado.

O dia para visitar Barcelos é a quinta-feira, pois é nesse dia que o Campo da Feira se converte num impressionante mercado. (…) Desde a madrugada até ao meio da tarde, os feirantes vendem mercadorias diversas, que vão desde os atoalhados de renda bordados à mão, aos cestos e aos vasos de bronze e de cobre. Também há artigos de cozinha feitos de madeira, tapetes e colchas trabalhadas à mão, olaria, chapéus de palha e mantas de farrapos. Pode-se equipar uma casa inteira com artigos comprados na feira, do mobiliário ao recheio da despensa. A seleção é muito vasta e os preços bem razoáveis. (...)”


Rosa e Júlia Ramalha: barristas

19 de Fevereiro de 2014 Nenhum comentário

'As palavras dos outros', de Baptista Bastos


Depois da crónica em que Baptista Bastos evoca o encontro que um dia teve com a barrista barcelense Rosa Ramalho, quisemos saber mais pormenores sobre esse diálogo que parece ter impressionado o jornalista e escritor a ponto de o recordar décadas mais tarde.


Descobrimos, com agrado, que esse episódio ficou registado numa espécie de livro de memórias. Dias depois, chega-nos pelo correio, vindo da Caparica, um exemplar em segunda mão da segunda edição de “As palavras dos outros” (Editorial Futura,1975). Do índice, saltámos diretamente para a página 93, onde o autor coloca em discurso directa a velha barrista e a sua jovem neta, Júlia Ramalho.


Deixamos aqui apenas algumas passagens de um relato que bem merece uma leitura integral:

«(Baptista Bastos para Júlia Ramalho) - Há quantos anos trabalha no barro?

- Tenho 20. Aí há dez. Isso: quando tinha 10 aos comecei a trabalhar no barro.

- Tem ganho dinheiro?

- Não muito, ainda. Mas tenho a certeza de que ainda hei-de ser uma das maiores barristas de Barcelos.

- Porquê?

- Os meus bonecos são diferentes de todos os outros. São mais perfeitos do que os do João Domingos da Rocha, do Misério ou da Rosa Côta, não acha? (...) Ainda hão-de-ser mais perfeitos e belos do que os dos bons tempos da minha avô Ramalha. (...) Gostaria muito que o senhor escrevesse isto no jornal. Preciso que os jornais comecem a falar de mim. Um dia serei uma grande barrista e é preciso que os jornais falem de mim, de vez em quando.»

 

"Sonho muitas vezes assim. Depois, faço os sonhos no barro."

1 de Fevereiro de 2014 Nenhum comentário

«Certa ocasião fui de longada até Barcelos. Depois, caminhei por uma estrada de terra solta e vermelha, bordejada por vinhas de enforcado e árvores cujas copas se uniam. Queria chegar a São Martinho de Galegos, lugar de barristas, com particular evidência para Rosa Ramalho, ou Ramalha (...).

A obra da Ramalha parecia uma representação das teses surrealistas: harpias, Cristos de várias crucificações, demónios e animais estrambólicos, ciclopes medonhos, mistérios e espantos.

Era uma velha pequena, seca, magra, astuciosa. Às páginas tantas da conversa perguntei-lhe o porquê daquelas esculturas, tão estranhas quanto tenebrosas. Disse-me: "Sonho muitas vezes assim. Depois, faço os sonhos no barro." (...)»


Os retratos próprios e os dos outros

Crónica Baptista Bastos, in Jornal de Negócios (07 Outubro 2011)