Olá freguês!

Velhos, nem os trapos!


Na freguesia de S. Miguel da Carreira, em Barcelos, nem todas as mulheres saberão falar francês ou tocar piano – haverá, porventura, quem não saiba escrever o próprio nome – mas quase todas sabem bordar ou tecer.

Não ter adquirido essa virtude por privilégio de nascimento também não é fatalidade. Que o diga a menina Patrícia Lemos, moça na casa dos 20 anos, que conheceu um moçoilo daquelas bandas e por ali se instalou.


Logo quis uma anciã vizinha ensinar-lhe, entre outras artes, as técnicas de tecelagem que por ali se aprendem desde o berço. E não é que a cachopa tem mão para coisa? Ganhou-lhe o gosto, armou-se Penélope e agora é vê-la aviar encomendas com os farrapos desaproveitados nas fábricas têxteis ali em roda: tapetes, mantas, sacos de praia, sacos de mão, sacos de tiracolo.


O freguês só tem de pedir. A menina logo dirá se há farrapo disponível na cor pretendida e em quantidade suficiente. Não havendo, não faltarão alternativas. Afinal, trapos há muitos!


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