Olá freguês!

Vime aos molhos

Mesmo a quem nunca nutriu particular afeição pelo vime e suas aplicações bastará a observação de uma meia dúzia de artigos para notar diferenças substantivas na cor, na espessura e no acabamento.

Não é propriamente da variedade de espécies de vime que advém a diversidade. Pelo menos, no Minho. O vime que usam os nossos cesteiros tem origem em Santiago do Chile, de onde os caules vêm aos molhos, ao preço de 4€/Kg.


Não deixa de causar espanto a longínqua proveniência da matéria-prima, tanto mais que temos fortes indícios de que em Portugal também a houve com fartura. Vimeiro e Salgueiro são tão-só evidências toponímicas da fertilidade de tais terras para a produção dessa planta da família das salicáceas.


O mesmo na ilha da Madeira, onde a indústria de vimes é ainda um dos ex-libris das localidades da Camacha e Boaventura, apesar de apenas 5% da população se dedicar à obra de vime, quando ainda há 20 anos empregava 90% da população.


Os plantios de vime hoje existentes em Portugal não são suficientes para alimentar as necessidades de abastecimento dos cesteiros em actividade e a actividade é demasiado exígua para absorver a produção de um cultivo sistemático de vimeiros. Pescadinha de rabo na boca.

O cultivo e tratamento de vimes é actividade árdua e pouco rentável, pelo que os cesteiros, os nossos e os Espanhóis, ao que sabemos, não têm grandes alternativas aos contentores vindos de Santiago do Chile, já descascados, secos e prontos a entrelaçar.


Regressemos então à ideia inicial, sobre as variações do vime: cor, espessura e acabamento. Não são tantas assim as opções, mas combinadas entre si proporcionam interessantes variações estéticas.


A cor, que pode variar entre o branco leitoso e o castanho de madeira, resulta apenas da utilização do vime cru ou cozido. Branco se cru; castanho se cozido e aqui a metologia é conforme os recursos: pode ser cozido num panelão de água a ferver, ou nas caldeiras vulcânicas, como se faz nas ilhas.


Quanto à espessura, pode ser inteiro ou rachado. Dependendo da aplicação, podem escolher-se os caules mais finos e homogéneos para utilização integral (um-a-um ou dois-a-dois, se demasiado finos) ou caules mais grossos que são abertos longitudinalmente com o auxílio de uma arcaica ferramenta chamada rachador, de cujo golpe resultam 3 ou 4 varas. Facilmente se compreende que os artigos de vime inteiro sejam mais caros. Mas é comum a utilização de uma e outra variante na mesma peça. Por exemplo, as cestas de vime rachado empregam nas asas caules de vime inteiriço, porque é das asas que se espera maior resistência.


A peça acabada, fosse de vime cru ou cozido, rachado ou inteiriço, levava tradicionalmente um revestimento de verniz, que protegia do caruncho e dos efeitos da exposição prolongada ao sol e à chuva e conferia um aspecto polido, que agradava particularmente à freguesia rural. Os cesteiros ainda hoje recomendam o acabamento de verniz pelas suas virtudes, mas sabem que a clientela urbana, seduzida pela estética vintage, prefere o vime à cor natural.


No caso, não é difícil agradar a gregos e troianos: tendo à mão um exemplo de cada, escolha o freguês o que lhe aprouver.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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